segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Desautorizando a carência

Nos nutriram desde a mais tenra idade de que um dia encontraríamos alguém especial. Ele (a) seria um ser único e especial, faria diferença nas nossas vidas. Teria um peso, peso este que com a expectativa cada vez mais alta tornou a maioria dos relacionamentos um peso pesado, um fardo a cada relação apostada, a cada cobrança. Esta idéia nos alimentou, nos saciou em alguns casos e nos deixou esfomeados em outros, mas seguimos na estrada acreditando no sonho de que alguém nos tiraria do marasmo, da mesmice. Nos resgataria não sei bem do que. O salvador (a) vai chegar, isto sempre latejando na mente, a cada vacilada. O bálsamo da dor, um láudano. Alguém nos fará feliz. Juntos seremos um só, entre altos e baixos. Caminhará conosco no inverno e no verão das nossas vidas.
Precisamos nos desautorizar a viver esta expectativa tão alta para então nos alforriar, nos liberar da frustração. Deixar de pensar neste salvador (cheio de responsabilidade, coitado), parar de ser um mero coadjuvante da novelinha da nossa vida e coemçar a atuar de forma definitiva na nossa história particular. Dono (a) do seu destino e participante ativo (a) das escolhas e rupturas que vão acontecer.
Dispa o santo e livre-se das amarras que te fazem ficar a espera de algo que talvez você nem queira, é só mais um papel a cumprir nas normas já estabelecidas da dita sociedade.
Livre-se do peso das altas apostas e talvez com leveza você ganhe a partida.
Quem sabe assim você consiga prestrar mais atenção em quem foi e em quem veio na sua vida. E você talvez vá menos e ele (a) venha mais.
Desautorize o sentimento da espera, da ânsia que te faz esperar por alguém tão iluminado, aprenda que Paris, a cidade luz, pode já estar iluminando a relação que acontece agora, com alguém ou com você mesmo.
Desautorize a sensação de alguém deve te resgatar. Te resgatar do que e pra que?
Desautorize a certeza. Que certeza você tem na vida? Somente a morte é certa, o resto é falácia. Até amanhã de uma nova manhã, tudo pode virar entre rotações e translações.
Autorize sim a esperança de fazer parte do cardápio, mas jamais deixe a responsabilidade do seu caminho ser guiado por outras mãos que não a sua. A mão do destino é uma coisa, a dos outros já não sei que coisa pode vir a ser.
Desacredite nas teorias de que todas as relações tem um propósito claro e objetivo, muitas pessoas entram nas nossas vidas e saem sem sabermos porque nos visitaram por um tempo. Deixa quieto em alguns momentos, nem tudo tem que ter explicação ou fazer sentido.
A idéia preconceituosa de que alguém vai bater a sua porta e instituir a felicidade geral na sua rotina é somente um sinalizador de que as coisas vão mal. Não deposite nos outros aquilo que é de responsabilidade somente sua. As suas realizações, os seus agrados e seus mimos.
Só depende de você e se a mente e a alma vão bem, quem entrar na sua vida amorosa vai curtir contigo uma relação mais prazerosa porque a transferência e a compensação não vão ter espaço na agenda de vocês.
A partir destas autorizações, as relações começam a deixar de ser um meio e passam a ser somente um caminho. Caminho de boas vivências.

20 comentários:

Heloísa disse...

Carolina,
Você deu todas as respostas. Ninguém nos salvará. Nós é que temos que ser fortes, nós é que temos que construir nossos caminhos, nós é que temos que saber ser felizes.
Beijo.

Dama de Cinzas disse...

Maravilhos o post! Adorei todas as colocações.

Tudo o que sempre tenho dito... Não existe relacionamento bom se vc estiver mal, esperando uma tábua de salvação... A palavra já diz, relacionamento, via de mão dupla, não é alguém pra te salvar...

Beijocas

ஜSaraஜ disse...

Oi Carol!
Passa lá no Saracotear que tem um selinho te esperando.
Bjs.

Babi Mello disse...

Carol,

Seu texto me fez pensar de só nós somo responsáveis única e exclusivamente por nossa felicidade, ninguém mais e cada dia que passa eu tenho isso mais forte dentro de mim e sinto que devido alguns acontecimentos da vida real, eu tenho que pensar em mim e na minha felicidade.
bj!

Fernanda Pereira disse...

Quando eu desisti de esperar...ele apareceu. Muito melhor do que a versão que eu esperava. Sem cavalos, sem sinos.

Muitas mochilas e um sorriso sacana...

Obrigada pelos parabéns Carol!!!

BJOS

a magia da noite disse...

é preciso encontrar os equilíbrios que nos salvem dos estereótipos.

ஜSaraஜ disse...

Oi Carol!
Que bom q vc gostou no novo layout.
Obrigada pela visita.
Bjs.

Lili Tormin disse...

É Carol... criar expectativas é um atalho para frustrações!

adoroeponto disse...

Existem mil maneiras de ser feliz e graças a Deus, somos diferentes pra poder escolher ou se identificar com alguma delas.
Procurar por um amor quase sempre é uma coisa besta. Como todas as coisas boas da vida, ele aparece quando não estamos esperando e tal.

;D

Valéria Martins disse...

Vc tem toda razão... Mas até a fantasia do amor romântico é fogo, chamusca todos nós. Até os gays. É esse o tema do novo filme de Aluisio Abranches, em que um casal de meio-irmãos se apaixona. Eles querem casar, ter casa, namorar, amar... Igualzinho às mulheres. Mas de onde vem esse arquétipo? Se há um arquétipo é porque algo existe... E a gente continua a acreditar que é possível. Eu acredito!

Beijos!

Dalva disse...

Carolina,

você disse tudo: nós somos responsáveis por nossa propria felicidade, cabe a nós fazer com que ela aconteça. Lembrou o ditado:
"Não corra atrás das borboletas...
cuide do seu jardim,
e elas virão até você!"

Uma noite de paz!

Bjs.

Escritora em construção disse...

Carolina,

Que texto incrível!
Nossa, ele combina exatamente com o que ando conversando com uma amiga - você não precisa ser "autosuficiente", mas tbm não precisa jogar nas costas de alguém a responsabilidade de ser o seu par perfeito,rs.
A felicidade começa por nós,e só! Não existe essa de só se é feliz ao lado de alguém! A felicidade está no que nós somos, quem chega depois só vai adornar a árvore da felicidade que já existe em nós!

Um beijo enorme!
Continue escrevendo assim tão bem e daqui a pouco estará no Jô, *rs.

Teórico disse...

Nossa, não tem como não aplaudir teu texto!

beijão

Dany disse...

Vc está certíssima! Se não formos felizes partindo de dentro, não vai ser alguém de fora que conseguirá nos salvar!
Por essas bandas, a maré não tá pra peixe, mas logo logo vai dar pra surfar! Vento solto nos cabelos, sol, mar... e a felicidade interna pedindo pra voltar! ;)
Assim espero!
Bjos, querida!

Bill Falcão disse...

Muito bem dito, Carol. Precisamos sempre nos lembrar disso tudo. Porque tem muita gente que realmente acredita num salvador, numa varinha de condão.
Bjoooooooo!!!!!!!!

Ana disse...

Oi moça,
é mais ou menos aquela história de que a nossa felicidade não deve ser suportada por ninguém, além de nós mesmos.
Eu acredito muito nisso. Tento sempre me divertir, ainda que esteja sozinha!
Beijos,

feriadoantecipado disse...

oi carol, brigado por sempre passar lah pelo blog...não pude ir assistir lua nova ainda...e agora estou lendo as leituras pro vestibular então não consegui ler eclipse e amanhecer ainda...vc tem skoob? pra quem gosta de ler é um prato cheio...bjo

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

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Olavo disse...

Acho que somente conseguimos a felicidade quando descobrimos que ela só depende de nós..
Bom final de semana
Beijos

Sonia disse...

Amiga,vou dar uma sumidinha básica.
Voltarei logo para tomar mais um café e jogar conversa fora!!!
Seu blog como sempre...milll
Bjsss...