quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Pela liberdade de não ter puxado a ninguém


Kurt Halsey

Me causa desconforto quando alguém fala que o X puxou a mãe, que o Y é igualzinho ao tio avô e por aí vai desfiando crenças e esquemas criando sugestões na cabeça das pessoas, desde a mais tenra idade. E isto é muito comum nas famílias.

Li outro dia num artigo do Flavio Gikovate que a dinâmica dos filhos é mais ou menos assim: num casal de personalidades opostas, o primeiro filho opta, inconscientemente, pela personalidade de um dos dois e o segundo filho se opõe à escolha do primeiro.

E o terceiro, se existir, como fica? Descompensa geral? É o estranho no ninho de mafagafinhos?

A regra é esta? E por acaso, personalidade tem cadastro de referências? É jogo pra ter regra?
Certo somos feitos daquele mapa mental de genética + personalidade + experiências, mas dá pra se ter liberdade de ação e fugir da pressão dos arquétipos.

Curiosamente me vi pensando nisto em relação a minha família e eu ser a segunda na "dinastia". Realmente era o oposto do meu irmão, mas neste caso nos completávamos. Sendo assim, escapei da regra que aquilo que nos atrai no oposto é o que nos separa mais tarde. Regra esta que acredito e muito para amores mundanos não amores parentais.

Éramos opostos que mais tarde não pesou e nem nos separamos pela forma diferente de ver e viver o mundo.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

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Praia do Rosa - Santa Catarina

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Você vai com os outros ou fica com você mesmo?



Todos os dias recebemos informações. Uma vez que as relações não são mais analógicas e sim digitais, despenca em cima de nós mil dados e fatos diariamente.

Fatos distantes e acontecimentos próximos. Além dos fatos de valor e peso que chega a nós, muitas informações precisamos peneirar. Já que a vida já não é mais tão privada, entre evasões e invasões de privacidade, estamos num reality show todos os dias, sem o bônus de um milhão no final.

Quando alguém conta um fato que desabona, que mancha a imagem e mexe com a reputação de um terceiro você acredita, fica desconfiado ou permanece com a sua opinião?

Você acredita no que vê ou no que te falam?

Pesa pra você o histórico daquela pessoa ou sai  julgando no impulso?

Eu não sou santa e muito menos a mocinha do passo certo, aliás perfil que não admiro, me dá nos nervos. Gosto de polêmicas porque sou em parte assim, mas é importante nos aperfeiçoarmos. É um dos objetivos de  estarmos nesta caminhada. Não sou politicamente correta, nem incorreta, rótulos bobos
 no final.
Dou minhas vaciladas e tal. Erro pra caramba, acerto mais um pouco e por aí vou na loucura de ser quem sou. Não tenho compromisso com as minhas opiniões, não tenho certezo de nada, tudo pode mudar. Nada é estático, tudo é dinâmico. Meu compromisso é com os meus valores e atitudes como geradores de resultados. Mas tento sempre ser imparcial, nem justa nem injusta, mas reta nas minhas idéias e conceitos.

Porque ser assim? Talvez porque já tentaram me definir, me etiquetar baseados em fatos visto somente de um ângulo. E como diz aquele velho ditado, toda moeda tem dois lados.

Aprendi a analisar quem está me trazendo a fofoca, o fato ou seja lá o nome que daremos. Este alguém mexe com o meu horizonte de compreensão. Me faz recuar, me força a ficar em stand by. Quem me afeta não é o alvo da fofoca e sim quem traz ela. Enquanto a pessoa fica naquela verborragia, permaneço quieta pensando, em estado de letargia, emitindo alguns grunhidos para parecer participativa. Claro que eu tenho interesse na vida, mas ando (ou sempre fui?) meio autista, mais interessada no meu mundo particular e no que posso fazer com ele. Sou empática, me envolvo com as pessoas, mas num outro nível. A minha sede por pessoas  é de conhecimento e não de invasão. Sendo assim, devaneio um bocado nestes momentos. Acabo analisando mais o mensageiro do que o alvo em si.

Claro que somos humanos e todos somos chegados em novidades com sobrenome de fofoca. É normal. Somos curiosos por natureza, mas daí mudar a minha opinião sobre alguém em cima de fatos contados e não visto por mim, fica complicado. Aí não dá, galera. É demais. E se for realmente verdade, toda história tem várias versões e motivações. Procuro não julgar antes de me certificar.

A verdade não é absoluta, não é única. A sua verdade pode não ser a minha e vice versa. E vamos seguindo o baile.

Se é alguém que não faz a mínima diferença deixo quieto, mas se for alguém que de alguma forma mexe com o meu mundo particular prefiro fazer o filtro e tentar através de outros caminhos analisar, com distanciamento e neutralidade. Então poderei dizer que contra dados e fatos não há argumentos.

É assim pra você?

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Aquilo que te faz seguir. A força que te conduz.

Tem dois assuntos que não discuto nem com cachorro. Religião e política. O primeiro é de foro íntimo e o segundo é maçante.
Cada um na sua e eu nada a ver com a de ninguém. Respeito antes de qualquer coisa.
Mas hoje este assunto dançou na minha cabeça e comecei a escrever.

Acredito em Deus, já vi milagres acontecendo e senti nisto a presença Dele.
Já senti o vento (que eu adoro) me beijar, um arrepio no braço, uma sensação de plenitude que me fez pensar em Maria, uma bela cena, uma imagem, um local que tive certeza da mão de Deus por ali.
Rezo, uma reza particular com Ele entre ave marias e pai nossos e seus santos, um papo que acontece entre nós, só nosso e pode ser o mais prosaico, caminhando na rua ou na companhia do meu travesseiro. O local é secundário, o momento quando acontece é vital.
Percebi algumas vezes o perigo me rondando e da mesma forma me rondava Jesus me protegendo, ali do meu lado, a um passo da minha mão, quase palpável.
Acredito em anjo da guarda, meu guia, minha voz interior, mas antes de mais nada alguém destinado para mim.
Sou global e não universalista que vem de uno, unidade e acredito que existam muitas outras forças além do território cristão, em outras culturas e crenças muito interessantes. Simpatizo com a maioria. E como cresci em bairro de judeus e convivi com eles e seus rituais desde pequena e até hoje muitos fazem parte do meu jardim especial, sempre acreditei que em alguma vida fui judia. Sinto isto tamanha a minha sintonia.
Mas me nego veementemente a imputar à minha pessoa esta culpa tão judaico cristão da nossa sociedade. Culpa de ser feliz, culpa de ter sucesso, culpa de tanta coisa que o mundo está sempre se desculpando de algo. Culpa virou sobrenome. Tento ao máximo não ter culpa. Culpa é para os fracos e oprimidos, e não acho que o reino dos céus seja só deles e não me incluo nesta categoria porque os fracos/culpados de alguma forma flertam com um certo poder.
E em certos momentos, sinto pena de Jesus de tanto que o alugam, muitas vezes em momentos banais, em pedidos fúteis e culpas desmerecidas que atribuem a ele.
Não pego isto pra mim, sou contra muitos temas arcaicos que a Igreja - política prega. Padres definitivamente não são a minha praia, apesar de admirar freiras e seus mistérios, suas quietudes e suas abnegações. Simpatizo com elas. Admiro as suas devoções e ruptura com um mundo tão convidativo, tão atraente.
Agora se for pra seguir conselhos de alguém, não será de um padre que vive a deriva das ações mundanas. Prefiro das pessoas que realmente vivem aquilo que falam. Nada substitui a experiência das ações. Como falar, por exemplo, de casamento, se nunca casaram?
Sinto necessidade de ir a missa em alguns dias, apesar de não ir com frequência e ter uma igreja na frente da minha rua como se estivesse abraçando, e porque não dizer, abençoando os moradores. Igreja bonita com escadaria e tal, famosa pela disputa entre as noivas para agendar seus casamentos.
Quando vou é uma necessidade mais forte que me puxa pra lá. Vem de dentro, não é obrigação. Não sou dada a obrigações em nenhum aspecto da minha vida pessoal. Obrigação e culpa caminham, às vezes,juntas tirando o prazer do ato em si. Laços pessoais obrigatórios não fazem a minha cabeça. Alguns tipos de laços não me atraem, me deixam aflita, seja num laço bem dado na sela de um cavalo antes de montar, seja na fita da sapatilha quando era jovem, ou com pessoas na minha vida.
Gosto do que vem sem amarras, sem nós. Curto mais e me comprometo mais ainda. Isto são laços de lealdade, comunhão e união. Flui de forma espontânea, sem imposição.
Voltando a igreja, quando subo aquelas escadas e assisto a missa é pela necessidade da energia de massa que emana de lá. Pela comunhão no canal direto com a força. Vida é força.
Força que sinto na energia dos que foram até lá por suas necessidades, pelas músicas que, ainda arraigada em mim, está a fala da minha avó materna que dizia que quando se canta na missa se reza em dobro. Então eu canto com fé, não com desespero. E me emociono.
Deus é um amigo, poderoso, mas não uma entidade distante de mim.
E aí entra a fé, onde somente a sonoridade da palavra já me encanta. Me lembro de uma camiseta da Fórum que eu tinha com esta palavra que realmente (re)move montanhas.

Fé e religião são dois assuntos distintos. Fé não é mérito somente de religiosos.
Fé é conquista de quem caminha de mãos dadas com algo mais forte, inexplicável. Com a vida.
Fé é antes de mais nada acreditar que o mundo conspira. A teu favor.
É apostar no abstrato que nos surpreende no concreto da vida como resultado.
Por isto antes de qualquer dogma tenha fé!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Nós não temos tecla Sap


É de extrema importância deixar o programa no áudio original no canal dos relacionamentos.
E, certos momentos não há dublagens nem traduções. A configuração é no original mesmo.
Porque esta mania automática que temos de fazer a leitura do que os homens falam? Principalmente se englobar nós.
Editar é preciso? Nos é de direito a transparência dos sentimentos e atitudes sim, mas cabe a cada ser ter lucidez nestas horas e uma pitada de objetividade e praticidade é fundamental. Mais terra, menos sonhos.

É preciso praticar a fórmula de que o que eles falam está ligado, ressalto em alguns casos ( na maioria) no que eles realmente querem dizer. Não existe tradução simultânea. Eles, geralmente não são subjetivos, apesar de alguns serem grandes jogadores na arte do falar e agir.

Que fique claro, queridos leitores homens, que estou falando aqui no geral, nas generalizações. Isto sim é uma leitura ampla, há exceções e cada caso é um caso. Graças a Deus!
Voltando a não editar, o exercício é libertador, posso garantir. Quebrar alguns paradigmas arraigados como tatuagem na nossa alma nos torna mais leve, livre e soltas das amarras convencionais infringidas a nós, mulheres maduras.

Vejo muita leitura alternativa daquilo que está ali, exposto, nu e cru na cara da pessoa. Em algumas conversas até me choco, não sei se com aquela que fala, com as versões das traduções das demais ouvintes ou com os meus pensamentos. Nestas horas tento usar o termômetro ( porque tbém sou filha de Deus e mulher, né?) para ver se não estou sendo radical, pois o distanciamento facilita o horizonte de compreensão ou apimenta porque no dos outros sempre é tempero. Nestas horas é preciso tirar a temperatura pra não ser de menos nem de mais. Contemporizar é preciso, ser justo mais ainda.

Uma edição ou o uso da tecla sap de forma incorreta pode fazer com que o perigo não more ao lado. Ele passa a viver dentro de nós, com sorriso de deboche escrachado e espírito sabotador.

O filme Ele Não Está Tão A Fim De Você sintetiza exatamente esta masturbação mental que fazemos conosco. Administramos mal alguns fatos dependendo de como anda a nossa auto estima.
Tudo poderia ser tão mais simples. Acreditar que as recusas são exatamente o que elas são.
- Não te quero! Não estou a fim! Não gosto de você! - é exatamente o que ele quer dizer com rodeios ou não, com fala macia ou não. Ponto. Final
Dói? Claro que dói, não fomos preparados no manual da sobrevivência ( que não nos deram) para sermos recusados, mas existe cicatrização, já sabemos que vai passar e a gente vai achar outro objeto de desejo. Somos assim. A fila anda, se a gente vai chegar ao final dela é outra história.

E acredite com fé que aquele (ou aqueles) tão especial que é pra ser nosso, pra chamar de seu, não vem enrolado em muitos obstáculos, já está destinado à nós, com prazo de entrega a longo ou curto prazo. Já vem meio que formatado ao nosso estilo.
Vejo pessoas construindo castelos de areia alicerçados em estruturas frágeis, grudada na idéia de que é possível converter o cara no que você quer que seja, isto é, “ o cara”
Algumas mulheres quando enxergam um homem mais complicadinho, chegam a mentalmente esfregar as mãos e salivar já pensando a fórmula secreta para agir e modificar o pobre coitado.
Que complexo de Deus é este?
Vamos acordar, nós não temos todo este poder!
Podemos ajudar a minimizar ou, pior, maximizar alguns detalhes, mas este poder tranformador só é concedido a quem interessar possa, no caso a pessoa em questão. Mérito somente dela. E mesmo assim, há controvérsias....

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Garantia?


Já diz o dicionário que garantia é o compromisso que o vendedor assume de entregar ao comprador a coisa desejada, isenta de vícios ou defeitos.
Até aí tudo certo, ocorre que com o passar do tempo e da utilização o produto se altera, pra usar uma palavra suave.

Garantia de qualidade no rótulo não garante que o prazo do produto já não expirou!
Diz também o querido dicionário que é o meio pelo qual o credor se previne contra o devedor de quaisquer riscos que possa a transação possa acarretar.

Tudo são transações, sejamos sinceros. Acordos velados ou não. Em alguns casos o espaço em silêncio cala mais alto.

Sendo assim porque a teimosia disfarçada de fé, de persistência insistindo em continuar, em se agarrar, em permanecer com aquilo que já perdeu a validade?
Vejo casais dando barrigaço por comodismo, por falta de lucidez, por egoísmo, empurrando mais um pouquinho aquilo que já está na UTI em estado comatoso, sem previsão de retorno.
Conheço pessoas insistindo em empregos que já não agüentam mais por medo de se ver no mercado procurando emprego, com receio do risco que muitas vezes nos leva a surpresas e prazeres, ou pior não podendo sair daquilo que chamam de trabalho por medo da fila que está lá fora e que não anda.
Vejo familiares que nada tem em comum levando adiante relações mofadas por convenções estipuladas por não sei quem na dita sociedade.
Porque? Porque?
Será que somos náufragos a deriva de tudo?
O medo nos encarcera. Nos faz refém. E de refém viramos prisioneiros da inércia.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Por uma Segunda feira de primeira

Filme Melhor Impossível

Um colunista acompanha um amigo até a banca de jornais.O amigo cumprimenta o jornaleiro, recebe de volta um resmungo grosseiro. Pega o jornal que havia sido atirado em sua direção, o amigo do colunista sorri polidamente e deseja um bom final de semana ao jornaleiro. Quando os dois amigos descem a rua, o colunista pergunta:

- Ele sempre trata você com essa grosseria?
- Sim, infelizmente é assim...
- E você é sempre assim amigável?
- Sim, procuro ser
- Porque você é educado, já que ele é tão grosseiro com você?
- Porque não quero que ele decida como eu devo agir
Enfim, um boa tarefa a ser exercitada. Mas tudo depende como você está naquele momento da sua vida, da sua hora do dia e principalmente como está o seu espírito pra não se dobrar ao vento que sopra. Para não ser fisgado.

Complicado? Sim e muito. Há de se ter uma compreensão maior para ser tão elevado.
Difícil? Não.
Mau humor é uma doença que contagia.

Sabe quando você, tem lá seus 20 anos e está numa puta ressaca da noite de sábado que deu tudo errado? No domingão levanta da cama porque tem almoço em família, aí é o caos. Prato cheio pra extravasar o teu mau humor. Esfrega as mãozinhas e saliva no canto da boca - É hoje!Chega na cada da avó e está tudo em harmonia, parentada reunida e lá vem você a encarnação do espírito de porco. Até o final da tarde, pode ter certeza todo mundo está de saco cheio e de mau humor. Porque? Porque você infestou o ambiente com a tua doencinha infeliz e contagiosa.

Então mau humor contagia ou não?
Só se você quiser...
Exerça o seu direito de não pegar pra ti o mau humor dos outros!