Quem não curte um replay não viveu os anos 80.
Não teve vitrola laranja da Phillips e não fez reunião dançante em casa com a turminha do bairro quando as férias eram longas tardes de dezembro a março.
Não gravava um monte de fitas cassetes e ouvia naquele walkman amarelo da Sony que podia entrar no mar ou na piscina.
Quem não curte rebobinar, não sabe como é libertador não se levar tão a sério ou rir de si mesmo. E claro, vai torcer o nariz ao pensar no que direi a seguir, porque os mais duros têm um código de moral próprio elaborado em cima das suas experiências baseado naquilo que ainda não conseguiram superar ou deixar de lado.Sendo assim acreditando que retroceder ou reprisar algo é nostálgico e negativo, afirmam que isto tudo está ligado a andar para trás quando a vida ainda não lhes ensinou que muitas vezes é preciso dar dez passos para trás pra avançar 20 lá adiante.
Enfim que peso tem para mim, para você ou para os outros o que é (re) vivido entre duas pessoas, além delas mesmas e de suas vontades?
Portanto, lá vai, narizes retorcidos.
Quem não curte um remake não sabe o quanto é gostoso se enroscar num antigo romance, naquele abraço conhecido, naquela intimidade decorada e naquele cheiro familiar.
Quem não curte repetição não sabe o quanto é bom namorar quem já nos namorou. Namorar quem já escreveu páginas da nossa vida, quem já foi ator principal nela e hoje é uma lembrança doce de ser revivida de tempos em tempos.
Amanhã? Depois do hoje acontecido entre risadas compartilhadas de piadas particulares, sussurros picantes, gostos nossos e beijos conhecidos é só olhar para aqueles olhos que te conhecem tão bem e com a cumplicidade que só amantes antigos têm para, sem palavras e no silêncio cômodo, nos despedirmos até o próximo delicioso replay, na manutenção do nosso, vivo, encontro de carinho, paixão e saudade comemorada.
Não é preciso dizer adeus e dispensamos as firulas das promessas vazias. Somos econômicos no disfarce e consumistas da lealdade.
Enquanto houver vontade de nós haverá o desejo de nos repetirmos.
Pelo sentimento que ainda persiste em teclar replay dentro de nós.