segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Ciao 2009!



A relação com 2009 está acabando.
Nossos dias estão contados. Estamos na UTI daquilo que se chamou de parceria.
Vivemos uma relação normal, como outra qualquer. Tivemos altos e baixos como qualquer casal. Nada memorável pra ser sincera. Agora está na hora de dizer adeus e seguir a estrada. Em busca de outro que me preencha. Que me traga fartura. Que ocupe meus pensamentos por completo, que revire o meu mundinho  e alinhe o que for necessário.
Um novo ano.
Me pego olhando com curiosidade para o mistério que circula esta figura chamada 2010.
Será que ele vem disfarçado de amor, sucesso ou realizações?
Expectativa. Excitação, frio na barriga.
Estou flertando com o futuro. Ele olha pra mim, eu olho pra ele. Mexo as longas pestanas destes meus olhos grandes e sinto que afeto o imaginário de 2010. Ele orbita em mim, já me cercando. Há um meio sorriso desenhado em seu rosto. Não consigo diagnosticar se é de alegria antecipada ou  puro deboche pelo que ele traz na sua bagagem.
Estou “ficando” com a surpresa.Como todo início de relação, há um suspense no ar.
Passado o desafio e a conquista instalada mergulharei de cabeça com excitação no novo, no desconhecido. No risco que é a metade do prazer com gosto de chocolate derretido na ponta de um damasco.
Então vou namorar, eu e o ano, durante 365 dias.
Com paixão, que é o que nos faz ir adiante.
Na véspera do último suspiro previsto, da nossa relação, brindaremos com champagne, entre um abraço apertado e um beijo molhado. Nos afastaremos sem a palavra adeus pra nublar o clima. Em paz, no silêncio. Com dignidade e respeito, com convém as pessoas saudáveis.
E mais uma vez estarei à espera de um novo ano e seu pacote de surpresas e milagres cotidianos.

Desejo a todos, um ótimo namoro com 2010!!!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Doutora por alguns dias

Tem dias que advogo sem ter diploma, sem ser bacharel nem ter passado na prova do OAB.
Já ouvi comentários que errei na profissão, estas pessoas falam isto quando provam da minha defesa em alguns "casos duros". Talvez pelo dom da oratória, pelo raciocínio rápido e afiado, por confrontrar, por desacomodar, mas acima de tudo pro acreditar que o certo tem que prevalecer.

Fui criada para acreditar nas minhas idéias, para retroceder com sabedoria quando necessário e para perseverar sempre.

Nestes últimos dias passei por algumas provações, a peleia foi dura. Vamos dizer que combati entre forças beligerantes.
Vivi um momento angustiante com a vida escolar da minha filha, mas o resultado foi positivo.

Lutei muito até que entendessem onde queria chegar e percebessem que a minha defesa não era baseada num julgamento pessoal. Havia um  certo distanciamento na minha tese. Precisava ser ouvida, mas era fundamental que entendessem que o meu discurso era baseado em fatos contra os quais não há argumentos.

A coerência reinava em cada ponto e vírgula do meu laudo.

Percebi a presença de Deus perto de mim ( mais uma vez) e principalmente reconheci a bondade e a coerência em algumas pessoas especiais.

Mas o que mais marcou nestes dias de entrave, de embate, acima da confiança  no que eu acho certo, corro atrás e acredito, foi o poder de uma mãe. Na íntegra, na acepção literal da palavra.

A luta contínua de batalhar pelo justo para o seu filho. A dor que cala mais fundo quando o filho sofre e você entende que não pode arrancar as ervas daninhas. É preciso, no mínimo, mostrar o seu amor através do apoio moral, permanecer atento ao seu lado, ajudando-o a lidar com o sofrimento como combustível para não cair no veneno atraente que se apresenta em forma de amargura e pode trancafiar um coração a sete chaves. O máximo no meu caso era lutar e jamais recuei perante os obstáculos, só me dou por vencida quando não há solução. Aí jogo a toalha e sigo em frente. Reconheço com humildade e uso a estratégia de retirada sem pudor quando é inevitável, mas não travo perante o errado, o injusto.

Já conhecia a minha força, ela mostrou a face inúmeras vezes e a cada apresentação da mesma, volto mais energizada. Sei do espaço que alcança as minhas mãos, mas entendo muito do poder da minha força de vontade e da fé que me impulsiona quando reclamo por justiça.

Defendo as minhas causas e levanto bandeira quando sei que tenho razão. A minha fé no correto na fraqueja os meus passos. Sigo em frente sem hesitação, querendo revirar o mundo, mas acima do bem e do mal, acreditando que há espaço para a justiça entre os homens. Ainda.

Por isto, amigos, já não estou mais precisando do MSN do Papai Noel, pois o Pai maior já me deu a benção este ano. Hoje é Natal no meu coração!

Abençoados sejam todos que ainda lutam e não se acomodam perante as dificuldades da vida.

No caminho você pode encontrar montanhas ou pedrinhas, depende da sua força e fé naquilo que vê.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Alguém sabe o msn do Papai Noel?


Bom, se alguém tiver o msn dele, por favor, passa para mim porque ando com uma vontade danada de falar com este ser.
Quem sabe depois de um bate papo a gente se acerta e recebo algumas coisinhas que andam pendentes por estas bandas.
Levando em conta que faz um tempo que não peço nada, além do básico para ser feliz, chegou a hora de pedir algo mais.
E você já fez os seus pedidos?

Alguém sabe o msn do Papai Noel?

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

A impotência diante da vida

Tem momentos que eu gostaria de ser a mão que define o destino para ter o poder de decidir de forma justa aquilo que está errado pra mim. 

Para desviar dos que amo o sofrimento, ficar somente ao lado transmitindo amor, carinho e apoio não suaviza a angústia de me sentir impotente diante do que já está escrito como fato consumado.

A revolta me consome,  não há paz na injustiça, meu coração pesa e por mais que a peleia seja dura, a persistência me impulsiona a seguir o embate, mas nada me ilude de que a derrota é eminente. Restando, dentro de mim, um cansaço mental e físico descomunal.

Nesta hora é importante entender que sofrimento é combustível, não pode ser veneno. Por mais que me sinta irracional diante da dor dos amados. Não há razão que estanque a dor.
Mas não consigo, nesta hora, objetivar nada. Me permito optar pelo emocional nesta situação.

domingo, 13 de dezembro de 2009

NO MUNDO DOS PORQUÊS


Aberta a temporada das emoções coletivas.
Eu quero entender o porquê de tanta atenção, de tanta bondade, desapego material e espírito de ajuda somente numa época do ano.

Passado o mês de dezembro e o que inclui no pacote deste período, além do tal espírito de Natal, a vida volta “ao normal”. Normal nem sei se é a palavra, mas voltamos aos nossos casulos e de lá tocamos as nossas vidinhas individuais, encarcerados nos nossos problemas e atribulações, esquecendo de vez o próximo...mais ou menos.

Não falo somente dos outros, falo de mim também. Este questionamento é de dentro para fora, afinal é nesta época do ano que nos abrimos mais para as mazelas do mundo, fazemos mutirão para ajudar lares carentes, contribuímos com brinquedos para crianças necessitadas.
O olhar é mais doce com aquele colega insuportável, a paciência é maior com o tal primo mala que passará o ano novo conosco, conseguimos brecha naquela agenda atribulda que é a sua vida, para encontrar os amigos de segunda a sexta em qualquer happy hour da vida.
Choramos mais, o coração fica batendo como asas asas de borboletas só de ouvir sinos em qualquer música que ouvimos. Até com o  caminhão da Coca Cola me emociono, quando passa de noite corro pra sacada pra ver toda feliz.

Sentimos mais falta dos que foram para o andar de cima e comungamos de amor pelos próximos com mais carinho, atenção, sinceridade e generosidade. Nosso sobrenome é altruísmo.

A bondade está no ar.
Trinta dias em que as pessoas estão mais aberta a emoção alheia, bondosas e mais cheias de Deus por dentro.

Este exercício de bondade deveria se dar o ano todo, ou melhor, deveria ser tão internalizado que seria normal sermos assim, magnânimos.

Quem sabe aderimos a esta modalidade de ser ?

Deixaria de ser apenas um mês o Natal e seria os 365 dias do ano.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Duelo de gigantes



Tem dias que tenho a nítida sensação de que a minha cabeça é um passarinho debatendo-se nas grades desta gaiola, por ora confortável por vezes nem tanto, que chamo de meu corpo.

Tem momentos que a tal grade é uma jaula.

Sinto-me encarcerada.

Prisão domiciliar.

O corpo e a mente travam embates históricos, isto não é novidade.
Este corpo que de forma ingrata não acompanha a evolução das minhas idéias. Enquanto a minha cabeça se torna uma adaga afiada com o passar dos anos, meu corpo e de todos os outros humanos, fenece. A curva de produtividade não nivela com a da criatividade, da sagacidade.

Maldito Senhor Tempo, que não cria sintonia entre a matéria e a mente. Duelo de gigantes.

Nestes dias inquietos o meu passarinho-mente voa, frequentemente de forma imaginária.

Levanta as asas e voa rumo a liberdade.

A tão sonhada liberdade...

domingo, 29 de novembro de 2009

De peito aberto


Kurt Halsey

Me lembro como se fosse hoje, nos anos 80, uma matéria na Veja onde vários médicos, numa das primeiras conferência sobre a Aids, comentavam que no futuro a doença seria crônica.
De lá pra cá, a doença que no início era algo distante se apresentou, no decorrer destes anos, de várias formas mais próxima.
No começo era um assunto tão longe das nossas vidas. Vivíamos alienados de certa forma. E só dávamos devida atenção à ela quando afetava as estruturas do nosso mundinho particular.
Hoje não conheço ninguém que já não a tenha visto de perto em algum amigo, parente ou em alguns casos em si mesmo.
Perdi um primo, que morou um tempo nos Estados Unidos, bem no início da descoberta por aqui e vivemos a relutância e o medo do desconhecido na própria área da saúde. No hospital que ele foi internado, alguns enfermeiros se recusavam a atendê-lo e no choque em que a minha família se encontrava relevamos o receio destes profissionais frente a ignorância e o desconhecido que gera o preconceito. Eu mesma, uma garota de 16 anos na época, vivi de forma distante todo o desenrolar deste drama. Não sei se era defesa ou não. Estava naquela fase “autista” da vida adolescêntica, preocupada somente com o meu umbigo e inflada no meu ego. Foi complicado, sofrido, mas tudo aconteceu muito rápido. Me lembro que ele faleceu numa véspera de feriadão e eu já estava de mochila pronta pra Jurerê / SC no final do enterro. A minha mãe ficou braba comigo, achava que eu não deveria ir e blábláblá, mas o meu pai comprou a briga com ela, me levou pra rodoviária e embarquei feliz para encontrar com amigas de São Paulo naquele paraíso. Claro que sofria pelo meu primo que se foi, mas enquanto a morte o abraçava, a vida tinha urgência em viver dentro de mim. Não preciso dizer que com o passar dos anos pensei muito no que ele viveu, quem ele era e tudo o que compreende os que já foram e a saudade que habita nos que ainda estão por aqui, mas a roda da vida gira.

Às vésperas do Dia Mundial de Luta contra a Aids, em 1º de dezembro, gostaria de falar sobre o amor nos tempos de Aids, aquele que reforça o desprendimento da razão e se apega ferozmente ao sentimento maior e mais sonhado por todos.
São insanos, são ilógicos ou simplesmente  guerreiros corajosos os que sublimam o amor acima do medo, do perigo e enfretam de peito aberto o desconhecido a espreita? Falo dos casais com uma condição peculiar cada vez mais comum nos tempos atuais: os sorodiscordantes.Um dos parceiros tem o vírus e o outro não.
Estes casais convivem, entre os lençóis, com o vírus dia após dia. Superação pode ser o sobrenome destes casais soldados?  Cúmplices na íntegra. Muitas vezes é a ajuda mútua que faz com que o infectado lute para viver. É uma carga extra de vontade na sua luta. É uma injeção de força e de fé no outro.
É uma história de amor dos nossos tempos. Mais uma forma de amar entre várias que tanto tentamos classificar desde que o mundo é mundo e cultua o bendito amor e suas faces.
Ficar ao lado de um parceiro soropositivo é uma prova de amor a toda a prova. É uma roleta russa para os que enfrentam o mundo e a ciência em nome de algo muito maior. E com fé seguem driblando as estáticas e as previsões. Burlando as possibilidades e quebrando paradigmas. Nos fazendo rever conceitos e certezas tão arraigadas nas nossas crenças, por vezes tão torpes de pobres mortais.
Nenhuma relação passa incólume ao HIV, ele devasta quem está por perto além do organismo afetado de forma direta, mas com certeza torna mais sólida qualquer relação depois dele.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Desautorizando a carência

Nos nutriram desde a mais tenra idade de que um dia encontraríamos alguém especial. Ele (a) seria um ser único e especial, faria diferença nas nossas vidas. Teria um peso, peso este que com a expectativa cada vez mais alta tornou a maioria dos relacionamentos um peso pesado, um fardo a cada relação apostada, a cada cobrança. Esta idéia nos alimentou, nos saciou em alguns casos e nos deixou esfomeados em outros, mas seguimos na estrada acreditando no sonho de que alguém nos tiraria do marasmo, da mesmice. Nos resgataria não sei bem do que. O salvador (a) vai chegar, isto sempre latejando na mente, a cada vacilada. O bálsamo da dor, um láudano. Alguém nos fará feliz. Juntos seremos um só, entre altos e baixos. Caminhará conosco no inverno e no verão das nossas vidas.
Precisamos nos desautorizar a viver esta expectativa tão alta para então nos alforriar, nos liberar da frustração. Deixar de pensar neste salvador (cheio de responsabilidade, coitado), parar de ser um mero coadjuvante da novelinha da nossa vida e coemçar a atuar de forma definitiva na nossa história particular. Dono (a) do seu destino e participante ativo (a) das escolhas e rupturas que vão acontecer.
Dispa o santo e livre-se das amarras que te fazem ficar a espera de algo que talvez você nem queira, é só mais um papel a cumprir nas normas já estabelecidas da dita sociedade.
Livre-se do peso das altas apostas e talvez com leveza você ganhe a partida.
Quem sabe assim você consiga prestrar mais atenção em quem foi e em quem veio na sua vida. E você talvez vá menos e ele (a) venha mais.
Desautorize o sentimento da espera, da ânsia que te faz esperar por alguém tão iluminado, aprenda que Paris, a cidade luz, pode já estar iluminando a relação que acontece agora, com alguém ou com você mesmo.
Desautorize a sensação de alguém deve te resgatar. Te resgatar do que e pra que?
Desautorize a certeza. Que certeza você tem na vida? Somente a morte é certa, o resto é falácia. Até amanhã de uma nova manhã, tudo pode virar entre rotações e translações.
Autorize sim a esperança de fazer parte do cardápio, mas jamais deixe a responsabilidade do seu caminho ser guiado por outras mãos que não a sua. A mão do destino é uma coisa, a dos outros já não sei que coisa pode vir a ser.
Desacredite nas teorias de que todas as relações tem um propósito claro e objetivo, muitas pessoas entram nas nossas vidas e saem sem sabermos porque nos visitaram por um tempo. Deixa quieto em alguns momentos, nem tudo tem que ter explicação ou fazer sentido.
A idéia preconceituosa de que alguém vai bater a sua porta e instituir a felicidade geral na sua rotina é somente um sinalizador de que as coisas vão mal. Não deposite nos outros aquilo que é de responsabilidade somente sua. As suas realizações, os seus agrados e seus mimos.
Só depende de você e se a mente e a alma vão bem, quem entrar na sua vida amorosa vai curtir contigo uma relação mais prazerosa porque a transferência e a compensação não vão ter espaço na agenda de vocês.
A partir destas autorizações, as relações começam a deixar de ser um meio e passam a ser somente um caminho. Caminho de boas vivências.

domingo, 15 de novembro de 2009

E o desejo se encontra com a insônia

Abriu os olhos e se deu conta onde estava. O silêncio da noite, a luz do abajur criando um clima de aconchego e aquela cama enorme e vazia. Vazia dele.
Despertou quando virou naquela rotineira mania de abraçar o corpo dele em determinado momento, no meio do sono e dos sonhos. Acostumada a passar a perna por cima do seu quadril e descansar a coxa ali e abraçar as suas costas. Desta vez quando virou abraçou o ar. Ele não estava ali.
Era a primeira noite sem ele. Claro que já haviam dormido separados nestes anos, entre uma viagem ou outro de um deles. Desta vez era diferente, o tempo seria mais longo.
No mesmo instante sentiu a fisgada física da saudade, do desejo, entre os lençóis, que ainda mantinha o cheiro dele. Enterrou o rosto no travesseiro e aspirou o ar impregnado do cheiro másculo.
Eles costumavam acordar o outro no meio da noite para se amar. A madrugada era feita para o amor preguiçoso, devagar e explorador, entre uma sonolência e um desejo despertando. Com a quietude lá fora, como testemunha, enquanto a cidade dormia.
Nas outras horas o amor era necessidade pura.Os anos juntos não diminuiu o tesão, a parceria entre eles só aumentou a vontade.
Inquieta, não conseguiu mais dormir. Virou para o lado, mas o calor já esquentava o seu corpo, a sua memória e seus sentidos.
Levantou, nua como sempre dormia, e percorreu a casa no escuro, encostou o quadril na soleira da porta do escritório dele e lembrou as inúmeras noites em que parou ali contemplando o seu homem enquanto lia ou estudava, concentrado no seu trabalho. Várias vezes invadiu aquela sala de forma silenciosa e passou a mão pelos seus cabelos cor de trigo, beijou a sua nuca e ele concentrado se surpreendia com sua presença, olhava indeciso se era uma visão e de repente abria aquele sorriso perfeito naquela boca carnuda. Aquela boca feita pra lhe dar o prazer dos beijos molhados. O mundo parava. Era o sinal sutil de que necessitavam um do outro. A tensão cravando as suas unhas no ar. De repente aquele homem sério e envolvido em seu trabalho se transformava no amante possessivo e exigente que ela adorava compartilhar jogos exóticos.
Entrou de mansinho.Sentiu o cheiro dele quando passou a mão pela mesa, seus pertences espalhados como se ele tivesse saído dali a poucos minutos. Aquela mesa que, na urgência do sexo, eles empurravam tudo e se amavam ali mesmo naquela madeira dura e áspera, sem importar o lugar, sem tempo para prorrogar a necessidade dos seus corpos. Na fome da carne.
Suspirou, fechou a porta devagar e bloqueou seus pensamentos.
Já estava amanhecendo e era preciso começar o dia de agenda cheia.
Para sua sanidade era relevante manter fechada algumas portas para agüentar o inverno dos próximos seis meses.

domingo, 8 de novembro de 2009

Ela, a partida e ele

Eles passaram a noite entre carícias, sussurros, risadas e amor, às vezes urgente e noutras selvagem, com ânsia e fome. Estavam famintos deles. Dormir era desnecessário, congelar o tempo era essencial. Não combinaram isto, mas havia um acordo tácito de prorrogar o tempo juntos.
Finalmente o tal dia chegou e por mais que imaginassem não estavam preparados para a emoção das últimas horas juntos. O assalto da dor, aquela fisgada de agonia pairando entre eles. O desejo, a fome, tudo misturado ao mesmo tempo agora.
Quando o dia começou a despontar ele, que nos últimos instantes estava encaixado no corpo dela, fez ela se virar e olhando nos seus olhos, na urgência da sua fome a estreitou nos braços e lentamente amou o seu corpo, a sua alma. Tocaram-se delicadamente em todas as partes, na intimidade dos locais que cada um sabia dar mais prazer ao outro. Amaram-se cansados e amarrados naquele gostar. Faziam isto sem coreografia ensaiada, focados em memorizar cada detalhe daquilo que seria somente lembranças nos próximos seis meses. A textura da pele, o cheiro, a voz aos sussurros e os gemidos. Sem a urgência do toque, na calma das sensações.
No caminho para o aeroporto o silêncio tinha vozes e para quebrá-lo, às vezes, ensaiavam um assunto ameno que se perdia depois de uma tentativa de diálogo. A tensão reinava por ali.
A ânsia de perder a imagem, os seus traços e seus trejeitos tão peculiares fazia com que se devorassem em olhares, olhares carregados de necessidades que sabiam que surgiria na ausência um do outro.
No balcão da companhia aérea ela observou o seu rosto mais uma vez e percebeu a tensão da sua boca, aquela boca que há poucas horas vagava pelo seu corpo lhe dando prazer, agora uma linha fina, reta e imóvel em sintonia com a mandíbula dura. Sabia que ali, morava um firme propósito, o de não chorar. Conhecia ele do inverso e do avesso e entendia que ele era o lado forte do time, que se ele desmoronasse ( e ela sabia que por dentro era o que acontecia) ela cairia e tudo se tornaria um caos. Num pêndulo, um dos lados tem que aparentar mais força. Este, naquela situação, era o papel que cabia a ele.
Eles odiavam despedidas então o combinado é que não haveria grandes cenas. Seria uma cena carinhosa, mas nada a la Casablanca. O abraço foi forte, aquela morena pequena e aquele loiro alto de olhos de uma imensidão azul. Ela se agarrou naqueles ombros largos e mais uma vez pensou como seus corpos se encaixavam de forma perfeita. Ele se perdeu naqueles cachos castanhos e desejou levar pra sempre aquele cheiro tão dela quando encostou e cheirou o seu pescoço, pela milésima vez. Em seguida lembrou que, às escondidas, colocou o perfume dela na mala para eternizar a sua memória olfativa nos momentos de saudade apertada.
A voz trancou para os dois, tamanha era a emoção, então se viraram para lados opostos.
Ela deu dois passos e não resistindo olhou por cima do ombro. Sentiu o cheiro dele bem perto, se virou. Ele colocou uma mão no seu pescoço enquanto que a outra mão puxava a cintura dela, pressionando para perto dos seus quadris. Ela riu, um risinho nervoso e se perdeu naqueles olhos. Beijaram-se com voracidade, esquecendo todos que estavam por perto. O tempo congelou e ele, com voz embargada, disse que seria difícil, mas o amor deles o alimentaria. Ela assentiu com a cabeça, não conseguiu falar, mas ficou tranqüila, pois ele sabia o quanto ela o amava. Não havia dúvidas entre eles, somente a confiança extrema entre parceiros de um grande time.
Então ele se foi e ela calmamente se dirigiu para o estacionamento. E ao som de Calling You na voz de George Michael, deu a partida e tomou o caminho de casa.
Em paz, por entender que ele tinha que ir para voltar para ela, mais tarde.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Pela liberdade de não ter puxado a ninguém


Kurt Halsey

Me causa desconforto quando alguém fala que o X puxou a mãe, que o Y é igualzinho ao tio avô e por aí vai desfiando crenças e esquemas criando sugestões na cabeça das pessoas, desde a mais tenra idade. E isto é muito comum nas famílias.

Li outro dia num artigo do Flavio Gikovate que a dinâmica dos filhos é mais ou menos assim: num casal de personalidades opostas, o primeiro filho opta, inconscientemente, pela personalidade de um dos dois e o segundo filho se opõe à escolha do primeiro.

E o terceiro, se existir, como fica? Descompensa geral? É o estranho no ninho de mafagafinhos?

A regra é esta? E por acaso, personalidade tem cadastro de referências? É jogo pra ter regra?
Certo somos feitos daquele mapa mental de genética + personalidade + experiências, mas dá pra se ter liberdade de ação e fugir da pressão dos arquétipos.

Curiosamente me vi pensando nisto em relação a minha família e eu ser a segunda na "dinastia". Realmente era o oposto do meu irmão, mas neste caso nos completávamos. Sendo assim, escapei da regra que aquilo que nos atrai no oposto é o que nos separa mais tarde. Regra esta que acredito e muito para amores mundanos não amores parentais.

Éramos opostos que mais tarde não pesou e nem nos separamos pela forma diferente de ver e viver o mundo.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Dispensa comentários


Praia do Rosa - Santa Catarina

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Você vai com os outros ou fica com você mesmo?



Todos os dias recebemos informações. Uma vez que as relações não são mais analógicas e sim digitais, despenca em cima de nós mil dados e fatos diariamente.

Fatos distantes e acontecimentos próximos. Além dos fatos de valor e peso que chega a nós, muitas informações precisamos peneirar. Já que a vida já não é mais tão privada, entre evasões e invasões de privacidade, estamos num reality show todos os dias, sem o bônus de um milhão no final.

Quando alguém conta um fato que desabona, que mancha a imagem e mexe com a reputação de um terceiro você acredita, fica desconfiado ou permanece com a sua opinião?

Você acredita no que vê ou no que te falam?

Pesa pra você o histórico daquela pessoa ou sai  julgando no impulso?

Eu não sou santa e muito menos a mocinha do passo certo, aliás perfil que não admiro, me dá nos nervos. Gosto de polêmicas porque sou em parte assim, mas é importante nos aperfeiçoarmos. É um dos objetivos de  estarmos nesta caminhada. Não sou politicamente correta, nem incorreta, rótulos bobos
 no final.
Dou minhas vaciladas e tal. Erro pra caramba, acerto mais um pouco e por aí vou na loucura de ser quem sou. Não tenho compromisso com as minhas opiniões, não tenho certezo de nada, tudo pode mudar. Nada é estático, tudo é dinâmico. Meu compromisso é com os meus valores e atitudes como geradores de resultados. Mas tento sempre ser imparcial, nem justa nem injusta, mas reta nas minhas idéias e conceitos.

Porque ser assim? Talvez porque já tentaram me definir, me etiquetar baseados em fatos visto somente de um ângulo. E como diz aquele velho ditado, toda moeda tem dois lados.

Aprendi a analisar quem está me trazendo a fofoca, o fato ou seja lá o nome que daremos. Este alguém mexe com o meu horizonte de compreensão. Me faz recuar, me força a ficar em stand by. Quem me afeta não é o alvo da fofoca e sim quem traz ela. Enquanto a pessoa fica naquela verborragia, permaneço quieta pensando, em estado de letargia, emitindo alguns grunhidos para parecer participativa. Claro que eu tenho interesse na vida, mas ando (ou sempre fui?) meio autista, mais interessada no meu mundo particular e no que posso fazer com ele. Sou empática, me envolvo com as pessoas, mas num outro nível. A minha sede por pessoas  é de conhecimento e não de invasão. Sendo assim, devaneio um bocado nestes momentos. Acabo analisando mais o mensageiro do que o alvo em si.

Claro que somos humanos e todos somos chegados em novidades com sobrenome de fofoca. É normal. Somos curiosos por natureza, mas daí mudar a minha opinião sobre alguém em cima de fatos contados e não visto por mim, fica complicado. Aí não dá, galera. É demais. E se for realmente verdade, toda história tem várias versões e motivações. Procuro não julgar antes de me certificar.

A verdade não é absoluta, não é única. A sua verdade pode não ser a minha e vice versa. E vamos seguindo o baile.

Se é alguém que não faz a mínima diferença deixo quieto, mas se for alguém que de alguma forma mexe com o meu mundo particular prefiro fazer o filtro e tentar através de outros caminhos analisar, com distanciamento e neutralidade. Então poderei dizer que contra dados e fatos não há argumentos.

É assim pra você?

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Aquilo que te faz seguir. A força que te conduz.

Tem dois assuntos que não discuto nem com cachorro. Religião e política. O primeiro é de foro íntimo e o segundo é maçante.
Cada um na sua e eu nada a ver com a de ninguém. Respeito antes de qualquer coisa.
Mas hoje este assunto dançou na minha cabeça e comecei a escrever.

Acredito em Deus, já vi milagres acontecendo e senti nisto a presença Dele.
Já senti o vento (que eu adoro) me beijar, um arrepio no braço, uma sensação de plenitude que me fez pensar em Maria, uma bela cena, uma imagem, um local que tive certeza da mão de Deus por ali.
Rezo, uma reza particular com Ele entre ave marias e pai nossos e seus santos, um papo que acontece entre nós, só nosso e pode ser o mais prosaico, caminhando na rua ou na companhia do meu travesseiro. O local é secundário, o momento quando acontece é vital.
Percebi algumas vezes o perigo me rondando e da mesma forma me rondava Jesus me protegendo, ali do meu lado, a um passo da minha mão, quase palpável.
Acredito em anjo da guarda, meu guia, minha voz interior, mas antes de mais nada alguém destinado para mim.
Sou global e não universalista que vem de uno, unidade e acredito que existam muitas outras forças além do território cristão, em outras culturas e crenças muito interessantes. Simpatizo com a maioria. E como cresci em bairro de judeus e convivi com eles e seus rituais desde pequena e até hoje muitos fazem parte do meu jardim especial, sempre acreditei que em alguma vida fui judia. Sinto isto tamanha a minha sintonia.
Mas me nego veementemente a imputar à minha pessoa esta culpa tão judaico cristão da nossa sociedade. Culpa de ser feliz, culpa de ter sucesso, culpa de tanta coisa que o mundo está sempre se desculpando de algo. Culpa virou sobrenome. Tento ao máximo não ter culpa. Culpa é para os fracos e oprimidos, e não acho que o reino dos céus seja só deles e não me incluo nesta categoria porque os fracos/culpados de alguma forma flertam com um certo poder.
E em certos momentos, sinto pena de Jesus de tanto que o alugam, muitas vezes em momentos banais, em pedidos fúteis e culpas desmerecidas que atribuem a ele.
Não pego isto pra mim, sou contra muitos temas arcaicos que a Igreja - política prega. Padres definitivamente não são a minha praia, apesar de admirar freiras e seus mistérios, suas quietudes e suas abnegações. Simpatizo com elas. Admiro as suas devoções e ruptura com um mundo tão convidativo, tão atraente.
Agora se for pra seguir conselhos de alguém, não será de um padre que vive a deriva das ações mundanas. Prefiro das pessoas que realmente vivem aquilo que falam. Nada substitui a experiência das ações. Como falar, por exemplo, de casamento, se nunca casaram?
Sinto necessidade de ir a missa em alguns dias, apesar de não ir com frequência e ter uma igreja na frente da minha rua como se estivesse abraçando, e porque não dizer, abençoando os moradores. Igreja bonita com escadaria e tal, famosa pela disputa entre as noivas para agendar seus casamentos.
Quando vou é uma necessidade mais forte que me puxa pra lá. Vem de dentro, não é obrigação. Não sou dada a obrigações em nenhum aspecto da minha vida pessoal. Obrigação e culpa caminham, às vezes,juntas tirando o prazer do ato em si. Laços pessoais obrigatórios não fazem a minha cabeça. Alguns tipos de laços não me atraem, me deixam aflita, seja num laço bem dado na sela de um cavalo antes de montar, seja na fita da sapatilha quando era jovem, ou com pessoas na minha vida.
Gosto do que vem sem amarras, sem nós. Curto mais e me comprometo mais ainda. Isto são laços de lealdade, comunhão e união. Flui de forma espontânea, sem imposição.
Voltando a igreja, quando subo aquelas escadas e assisto a missa é pela necessidade da energia de massa que emana de lá. Pela comunhão no canal direto com a força. Vida é força.
Força que sinto na energia dos que foram até lá por suas necessidades, pelas músicas que, ainda arraigada em mim, está a fala da minha avó materna que dizia que quando se canta na missa se reza em dobro. Então eu canto com fé, não com desespero. E me emociono.
Deus é um amigo, poderoso, mas não uma entidade distante de mim.
E aí entra a fé, onde somente a sonoridade da palavra já me encanta. Me lembro de uma camiseta da Fórum que eu tinha com esta palavra que realmente (re)move montanhas.

Fé e religião são dois assuntos distintos. Fé não é mérito somente de religiosos.
Fé é conquista de quem caminha de mãos dadas com algo mais forte, inexplicável. Com a vida.
Fé é antes de mais nada acreditar que o mundo conspira. A teu favor.
É apostar no abstrato que nos surpreende no concreto da vida como resultado.
Por isto antes de qualquer dogma tenha fé!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Nós não temos tecla Sap


É de extrema importância deixar o programa no áudio original no canal dos relacionamentos.
E, certos momentos não há dublagens nem traduções. A configuração é no original mesmo.
Porque esta mania automática que temos de fazer a leitura do que os homens falam? Principalmente se englobar nós.
Editar é preciso? Nos é de direito a transparência dos sentimentos e atitudes sim, mas cabe a cada ser ter lucidez nestas horas e uma pitada de objetividade e praticidade é fundamental. Mais terra, menos sonhos.

É preciso praticar a fórmula de que o que eles falam está ligado, ressalto em alguns casos ( na maioria) no que eles realmente querem dizer. Não existe tradução simultânea. Eles, geralmente não são subjetivos, apesar de alguns serem grandes jogadores na arte do falar e agir.

Que fique claro, queridos leitores homens, que estou falando aqui no geral, nas generalizações. Isto sim é uma leitura ampla, há exceções e cada caso é um caso. Graças a Deus!
Voltando a não editar, o exercício é libertador, posso garantir. Quebrar alguns paradigmas arraigados como tatuagem na nossa alma nos torna mais leve, livre e soltas das amarras convencionais infringidas a nós, mulheres maduras.

Vejo muita leitura alternativa daquilo que está ali, exposto, nu e cru na cara da pessoa. Em algumas conversas até me choco, não sei se com aquela que fala, com as versões das traduções das demais ouvintes ou com os meus pensamentos. Nestas horas tento usar o termômetro ( porque tbém sou filha de Deus e mulher, né?) para ver se não estou sendo radical, pois o distanciamento facilita o horizonte de compreensão ou apimenta porque no dos outros sempre é tempero. Nestas horas é preciso tirar a temperatura pra não ser de menos nem de mais. Contemporizar é preciso, ser justo mais ainda.

Uma edição ou o uso da tecla sap de forma incorreta pode fazer com que o perigo não more ao lado. Ele passa a viver dentro de nós, com sorriso de deboche escrachado e espírito sabotador.

O filme Ele Não Está Tão A Fim De Você sintetiza exatamente esta masturbação mental que fazemos conosco. Administramos mal alguns fatos dependendo de como anda a nossa auto estima.
Tudo poderia ser tão mais simples. Acreditar que as recusas são exatamente o que elas são.
- Não te quero! Não estou a fim! Não gosto de você! - é exatamente o que ele quer dizer com rodeios ou não, com fala macia ou não. Ponto. Final
Dói? Claro que dói, não fomos preparados no manual da sobrevivência ( que não nos deram) para sermos recusados, mas existe cicatrização, já sabemos que vai passar e a gente vai achar outro objeto de desejo. Somos assim. A fila anda, se a gente vai chegar ao final dela é outra história.

E acredite com fé que aquele (ou aqueles) tão especial que é pra ser nosso, pra chamar de seu, não vem enrolado em muitos obstáculos, já está destinado à nós, com prazo de entrega a longo ou curto prazo. Já vem meio que formatado ao nosso estilo.
Vejo pessoas construindo castelos de areia alicerçados em estruturas frágeis, grudada na idéia de que é possível converter o cara no que você quer que seja, isto é, “ o cara”
Algumas mulheres quando enxergam um homem mais complicadinho, chegam a mentalmente esfregar as mãos e salivar já pensando a fórmula secreta para agir e modificar o pobre coitado.
Que complexo de Deus é este?
Vamos acordar, nós não temos todo este poder!
Podemos ajudar a minimizar ou, pior, maximizar alguns detalhes, mas este poder tranformador só é concedido a quem interessar possa, no caso a pessoa em questão. Mérito somente dela. E mesmo assim, há controvérsias....

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Garantia?


Já diz o dicionário que garantia é o compromisso que o vendedor assume de entregar ao comprador a coisa desejada, isenta de vícios ou defeitos.
Até aí tudo certo, ocorre que com o passar do tempo e da utilização o produto se altera, pra usar uma palavra suave.

Garantia de qualidade no rótulo não garante que o prazo do produto já não expirou!
Diz também o querido dicionário que é o meio pelo qual o credor se previne contra o devedor de quaisquer riscos que possa a transação possa acarretar.

Tudo são transações, sejamos sinceros. Acordos velados ou não. Em alguns casos o espaço em silêncio cala mais alto.

Sendo assim porque a teimosia disfarçada de fé, de persistência insistindo em continuar, em se agarrar, em permanecer com aquilo que já perdeu a validade?
Vejo casais dando barrigaço por comodismo, por falta de lucidez, por egoísmo, empurrando mais um pouquinho aquilo que já está na UTI em estado comatoso, sem previsão de retorno.
Conheço pessoas insistindo em empregos que já não agüentam mais por medo de se ver no mercado procurando emprego, com receio do risco que muitas vezes nos leva a surpresas e prazeres, ou pior não podendo sair daquilo que chamam de trabalho por medo da fila que está lá fora e que não anda.
Vejo familiares que nada tem em comum levando adiante relações mofadas por convenções estipuladas por não sei quem na dita sociedade.
Porque? Porque?
Será que somos náufragos a deriva de tudo?
O medo nos encarcera. Nos faz refém. E de refém viramos prisioneiros da inércia.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Por uma Segunda feira de primeira

Filme Melhor Impossível

Um colunista acompanha um amigo até a banca de jornais.O amigo cumprimenta o jornaleiro, recebe de volta um resmungo grosseiro. Pega o jornal que havia sido atirado em sua direção, o amigo do colunista sorri polidamente e deseja um bom final de semana ao jornaleiro. Quando os dois amigos descem a rua, o colunista pergunta:

- Ele sempre trata você com essa grosseria?
- Sim, infelizmente é assim...
- E você é sempre assim amigável?
- Sim, procuro ser
- Porque você é educado, já que ele é tão grosseiro com você?
- Porque não quero que ele decida como eu devo agir
Enfim, um boa tarefa a ser exercitada. Mas tudo depende como você está naquele momento da sua vida, da sua hora do dia e principalmente como está o seu espírito pra não se dobrar ao vento que sopra. Para não ser fisgado.

Complicado? Sim e muito. Há de se ter uma compreensão maior para ser tão elevado.
Difícil? Não.
Mau humor é uma doença que contagia.

Sabe quando você, tem lá seus 20 anos e está numa puta ressaca da noite de sábado que deu tudo errado? No domingão levanta da cama porque tem almoço em família, aí é o caos. Prato cheio pra extravasar o teu mau humor. Esfrega as mãozinhas e saliva no canto da boca - É hoje!Chega na cada da avó e está tudo em harmonia, parentada reunida e lá vem você a encarnação do espírito de porco. Até o final da tarde, pode ter certeza todo mundo está de saco cheio e de mau humor. Porque? Porque você infestou o ambiente com a tua doencinha infeliz e contagiosa.

Então mau humor contagia ou não?
Só se você quiser...
Exerça o seu direito de não pegar pra ti o mau humor dos outros!

sábado, 3 de outubro de 2009

Pílulas de sabedoria

Recebi de uma amiga, por e-mail, estas pílulas de sabedoria. Quero compartilhar com vocês, mas vou dar uns pitacos, tá?

1. A vida não é justa, mas ainda é boa.
Mas tem dias que não fazem sol e a gente reclama pra burro.

2. Quando estiver em dúvida, apenas dê o próximo pequeno passo.
Na dúvida deixa que o universo conspira e fique de olho aberto para os sinais. Eles existem!

3 A vida é muito curta para perdermos tempo odiando alguém.
Ódio, pra mim, não é oposto do amor. Ele está bem próximo do amor. Mesmo assim é um sentimento sem validade, só dá rugas e gastrite.

4. Seu trabalho não vai cuidar de você quando você adoecer. Seus amigos e seus pais vão. Mantenha contato.
Trabalhar é bom, no lugar e fazendo o que a gente gosta, melhor ainda. Mas existe vida pós trabalho!

5. Pague suas faturas de cartão de crédito todo mês.
Acumular qualquer coisa dá prejuízo mais adiante. É fato!

6. Você não tem que vencer todo argumento. Concorde para discordar.
Ou se faz de bocó e deixa passar. Porque em alguns casos, expor opinião é gastar saliva se o ouvinte não tem um amplo horizonte de compreensão.

7. Chore com alguém. É mais curador do que chorar sozinho.
Em alguns casos, gosto mais do chuveiro como companhia ou uma boa caminhada munida de óculos escuro e ipod no ouvido.

8. Está tudo bem em ficar bravo com Deus. Ele aguenta.
Agüenta sim, mas em alguns casos vamos desalugar Deus, tá?
Tem gente que pra tudo atribui à Deus. É mais cômodo

9. Poupe para aposentadoria começando com seu primeiro salário.
Se a gente entendesse isso lá aos 18 anos quando tudo era agora, ao mesmo tempo hoje... Aposentadoria, nesta época, é a China, bem distante.

10. Quando se trata de chocolate, resistência é em vão
E tira a depressão, depois engorda e dá nova deprê e por aí vai no círculo das sanfonas...
11. Sele a paz com seu passado para que ele não estrague seu presente.
Em alguns casos passado se mistura com o presente ou o presente é resultado dele. Na dúvida, se persistir procure um terapeuta pra desvencilhar os nós. Benza Deus os "psi"

12. Está tudo bem em seus filhos te verem chorar.
É bom, desmitifica aquela figura de todo poderoso (de pedra) que os filhotes em alguns casos, egoisticamente, acreditam que somos.

13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que se trata a jornada deles.
Comparar é andar para trás ou ficar atolado no mesmo ponto. Cada um, cada qual! E não esqueça, as aparências, às vezes, enganam.
14. Se um relacionamento tem que ser um segredo, você não deveria estar nele.
Síndrome de Maria, complexo de roubada.

15. Tudo pode mudar num piscar de olhos; mas não se preocupe, Deus nunca pisca.
Ah ele deve piscar sim, ou melhor arregalar os olhos quando vê alguns vacilos dos seus filhos por estas bandas.

16. Respire bem fundo. Isso acalma a mente.
Se bater o desespero e o impulso, não aja! Segura a franja porque arrependimento é o vem depois do Sr. desespero e da Sra. impulsividade.
E se perder o sono, fica quietinho ouvindo a sua respiração que logo, logo volta a dormir. Tente não pensar em problemas de noite, na insônia, eles ficam enormes entre 01:00 e 06:00 da manhã.
17. Se desfaça de tudo que não é útil, bonito e prazeiroso.
Depende.Temos coisas que não tem utilidade, mas tem um valor enorme pro nosso coração. Nossas memórias materiais afetivas.
18. O que não te mata, realmente te torna mais forte.
Nietzsche era o cara, né? Mas cuida pra essa fortaleza não se traduzir em travas e amarguras, tá?

19. Nunca é tarde demais para se ter uma infância feliz. Mas a segunda só depende de você e mais ninguém.
Só cuida o ridículo das atitudes e o senso estético.

20. Quando se trata de ir atrás do que você ama na vida, não aceite não como resposta.
Regado a bom senso. Lembra que a persistência, às vezes, namora com a teimosia e o orgulho ferido. Terra chamando!

21. Acenda velas, coloque os lençóis bonitos, use a lingerie elegante. Não guarde para uma ocasião especial. Hoje é especial.
Enquanto casal se reinventa porque nada mais amorfo do que uma relação mofada.
E se, no momento não tem alguém por aí, Te namora. Curta o momento e principalmente, te dê carinho. Quem pode te dar mais prazer do que você mesmo?
22. Se prepare bastante, depois deixe-se levar pela maré..
A maior piada é achar que temos controle de algo.

23. Seja excêntrico agora, não espere ficar velho para usar roxo.
O que excentricidade e roxo tem a ver? Hã? Como assim?
24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.
Há controvérsias, uma coisa é uma coisa, e outra é outra...

25. Ninguém é responsável pela sua felicidade além de você.
É fato. Ponto.
26. Encare cada "chamado desastre" com essas palavras: Em cinco anos, vai importar?
Se este chamado envolver pessoas que perdemos, impossível pensar a longo prazo, a dor lateja agora e fica escondida amanhã.
27. Sempre escolha a vida.
Viver é um presente, sobreviver é opção para resilientes.

28. Perdoe tudo de todos.
Menos, bem menos que não estou com esta divindade toda.Se não conseguir neste momento, não se exija tanto. O tempo minimiza e se encarrega da escala de valorização e do esquecimento dos fatos
29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.
Se preocupar com o que os outros pensam de você não faz diferença. Eles continuaram pensando algo de você. Pra que perder tempo com isto? Compreender isto te liberta.

30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo.
E o que não cura nós inventamos “remédios naturais” para aliviar a dor. Se persistir procure um terapeuta

31. Independentemente se a situação é boa ou ruim, irá mudar.
Nada é permanente na roda da vida. Esteja preparado para as mudanças!

32. Não se leve tão à sério. Ninguém mais leva...
É verdade, se torna até chato e acabamos cansando de nós mesmos.
Coerência é burrice, em alguns casos. Podemos retroceder a qualquer momento. Até com as atitudes e opiniões. Não tenha compromisso neste sentido.

33. Acredite em milagres
Acreditar no poder revolucionário dos milagres é, antes de mais nada, crer no poder que temos como seres humanos transformadores.
34. Deus te ama por causa de quem Deus é, não pelo o que vc fez ou deixou de fazer.
O único que te aceita por ti mesmo, com todo o teu kit completo.

35. Não faça auditoria de sua vida. Apareça e faça o melhor dela agora.
Para que haja catarses, é necessário um inventário e auditar situações.
36. Envelhecer é melhor do que a alternativa: morrer jovem
Essa máxima à La James Dean já era. A era é da longevidade com qualidade.

37. Seus filhos só têm uma infância
Não faça deles pequenos adultos enfadonhos. Deixa eles passarem por tudo o que implica ser criança. Não acelera o processa, é uma fase tão linda.
E curta o máximo que pode ao lado deles, mas entenda que qualidade não é quantidade. Não adianta largar a sua vida pra viver a vida deles, depois quem paga a fatura (alta) é os coitados dos filhos. Que injusto, viu?
38. Tudo o que realmente importa no final é que você amou.
No final, por mais que o que mova o mundo é o sexo e o dinheiro, o que te embalará serão os amores lindos que viveu, acariciou o seu coração e renovou a sua alma.

39. Vá para a rua todo dia. Milagres estão esperando em todos os lugares
O nosso lar é o nosso sítio de segurança espiritual e física, mas estar em contato com as pessoas é o que alimenta a nossa alma sedenta de outras almas.

40. Se todos jogássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos os de todo mundo, pegaríamos os nossos de volta.
No momento crítico olhe para além do seu umbigo, é um exercício para não nos sentirmos os mais azarados. Vai ser um bálsamo.

41. Inveja é perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.
O problema da inveja é que você não quer o que o outro tem e sim que o outro Não tenha, já diz Zuenir Ventura. E aí, meu caro, o buraco é mais embaixo.
42. O melhor está por vir.
Ou já está do seu lado. Você não percebeu?
43. Não importa como vc se sinta, levante, se vista e apareça.
Vivemos na era visula, mas antes de mais nada não gostamos nem hoje nem ontem de pessoas que tem pena de si mesmo.

44. Produza.
Sempre! As mentes são geladeiras e podem oxidar.

45. A vida não vem embrulhada em um laço, mas ainda é um presente.
PARA SER DESEMBRULHADO. POR. VOCÊ. AGORA!

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Você está pronto para encarar esta (bad) trip?

“ A morte é a mais fiel das companheiras, pois nasce conosco, permanece ao nosso lado por toda a vida e nos leva quando tem que levar. Não a vejo com horror. Estou naquela idade em que vir a morrer não vai me surpreender.” – disse Manoel Carlos, autor de novelas, 76 anos, na contracapa da Zero Hora de hoje.

Concordo, ela vem junto no pacote assim que saímos do ventre materno. Há de se aprender ( ironicamente) a viver com ela, a encará-la. Tem àqueles que saem atrás de respostas para o seu significado e há os curiosos que buscam em todas as crenças a explicação para ela ou quem sabe algo mais.
E fica a pergunta bailando em torno de: quem realmente sabe o que existe do outro lado? Só os que se foram!
Você e eu com certeza não sabemos, pois ainda estamos aqui e o que procuramos encontrar nos diversos caminhos que buscamos respostas ( se é que buscamos) são mera especulações e hipóteses.
A única certeza que contamos é que esta estrada, em algum momento, vamos enveredar. Se no meio dela acharmos que é cedo ou não, aí é com Deus e como dizem, só Deus sabe.
É inevitável a tal viagem.
Se ela é nossa companheira, digo por mim, que até o presente momento ela está mais pra uma “amiga” que quero bem distante de mim porque tenho sede de viver e se possível fosse ficava pra semente.
Quem sabe mais tarde, com o passar dos anos, com a sabedoria adquirida, me acostume com esta persona que nos acompanha de longe ou de perto, mas por enquanto sigo reto vivendo, que é uma das maiores maravilhas.
E você está pronto para esta viagem?

domingo, 27 de setembro de 2009

Da série: Medicamentos para uma 2º feira

Segue uma receita de energia polivitamínico.
Dá uma olhada nesta ação que foi considerada a maior flash mob dos últimos tempos.
Com Black Eyed Peas na nova abertura do Programa da Oprah.
Descobri lá no blog bacana http://feriadoantecipado.blogspot.com não resiti e joguei pra cá. Também podemos fazer mini ações de energia e mobilização.
Curte então!!!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Optei por ela

Alice no País das Maravilhas
Uma vez estava concorrendo a uma vaga interna e minha última entrevista era com alguém que todos temiam, que veio a ser meu superior e de difícil não tinha nada. Era pura carcaça. Mas voltando ao assunto. Papo vai, papo vem e ganhei a promoção. E o tal chefe com fama de complicado me disse que a diferença foi quando eu lhe disse que optei por ser feliz apesar dos pesares. Ali ele viu alguém que agregaria algo pra sua equipe.
Realmente opções nós temos e está é uma que consta no meu currículo. Não preciso dizer que a nossa parceria foi ótima.

E continuo acreditando em felicidade como um estado de ser. Não é aquela palhaçada geral de ser otimista 24h/dia por que ninguém é de ferro, ou é autista ( inflado dentro de si mesmo) ou pior ingênuo.

Falo de felicidade construída de pedacinhos, de retalhos. Piegas? Um clichê?
Sim, mas com um fundo de verdade incontestável.
Muitas vezes são momentos banais, corriqueiros.
É uma risada no meio do nada, uma conversa leve, o sorriso de alguém, um encontro, um abraço gostoso. Mil coisas podem desencadear uma reação de felicidade em você. Dá pra passar a tarde enumerando fatos e acontecimentos simples que tecem a trama da felicidade nossa de cada dia.
Não falo de risos e gargalhadas, pois pra isto existe um nome, alegria e nem todo mundo que está alegre é feliz. Ou está realmente alegre. Mas isto daria um outro post.

Felicidade tem a ver com sensações em águas calmas ou turbulentas, mas com sentido de plenitude, de preenchimento no coração. De abertura espiritual.
Nem todos estão abertos para entender quando a felicidade vem nos bater a porta. Muitos nem dão as boas vindas, não são hospitaleiros porque não enxergaram a visita chegar. É cpmplicado para algumas pessoas reconhecer a chegada.

É a intensidade destes momentos que fazem a diferença de outros acontecimentos que surgem no decorrer do caminho.
São aquelas horas que desejamos congelar o tempo e brincar de estátua ( lembra?).
E você chega a pensar - Para tudo que quero ficar aqui para sempre!

Me pego muitas vezes nestas horas agradecendo o bendito momento. No meio do nada agradeço em silêncio. Agradeço a Deus, ao universo, ao cosmo. Pra mim e por mim.
São coisas simples. É um momento meu de gratidão, reconhecimento e consideração íntima.

Aprendi a apreciá-los, nem sempre fui assim, e não sou sempre assim, mas acontece com freqüência. Já passei batido pelas coisas boas e simples da vida, aguardando grandes momentos, quando que por ilusão, ingenuidade ou ansiedade não percebia que aqueles eram os grandes momentos. Não precisamos de luzes, câmera e ação para grandes efeitos na vida. Hollywood é aqui dentro da gente mesmo.

A felicidade não precisa de grandiosidades, mas de detalhes importantes e de um estado de espírito elevado, exercitado para novos olhares e novas conquistas.
Esteja atento aos detalhes.
Exerça o direito de ser feliz. Não dói, não dá dor de cabeça e faz bem pro cérebro.
Oxigena mais. Faça esta opção.



domingo, 20 de setembro de 2009

Blogagem Coletiva - Uma carta para o meu passado

Seguindo a idéia ótima da blogagem Coletiva do blog http://elainegaspareto.blogspot.com/ chega mais e olha a cartinha que escrevi para o meu passado.

Para Alguém que conheço muito bem
De eu
Para mim
Oi bonita, voltei porque alguns fios ficaram soltos no decorrer dos anos, então estou aqui de volta, rebobinando a nossa vida, esperando te tornar um pouquinho mais sábia.
Só voltei pra te dizer uma única coisa: A vida não se faz num clique.
Mas eles são essenciais pra gente seguir sendo quem espera ser. Então curta, relaxa e aproveite os momentos. São de momentos que fazemos o nosso currículo.
Joga pro alto a ansiedade e principalmente o controle remoto, porque saberás mais adiante aonde tudo nos levou.
Aprenda que presumir que temos controle sobre algo é a piada mais bizarra de todos os tempos. Só conseguimos controlar, de vez em quando a nossa razão, e olha que não são em todas as horas. E acredite, muitos não tiram nota 10 neste matéria.
O universo conspira, amor. E comprovarás o que estou falando daqui alguns anos. Você descobrirá, com esta cabeça a mil sempre super conectada e asas nos teus pés, que o que estou dizendo é a nossa verdade e perceberás mais leveza nas coisas boas da vida. Faça um clique no pause do controle e saboreie o mel da vida.
Esqueça o passado, ele já virou pó em algumas das nossas gavetas mentais. Não dá mais pra fazer nada diferente, já foi, já era e ponto final.
Rcuperar o tempo perdido é uma ginástica mental e física que só dá desgaste, não fortalece nenhum músculo.
Curta o agora, com carinho e atenção.
E o futuro talvez venha embalado numa caixa de confeitos doces, bonita com laçarote roxo.
Porque no final, garota, se você só pensa no passo seguinte não dá a devida atenção para o agora, não está vivendo o presente e se não pensa no agora não se prepara pro futuro. É tudo um ciclo, no círculo de giz que Caterina de Médici sempre falou.
Está lembrando o cachorro correndo atrás do próprio rabo? É mais ou menos desta forma.
Ou seria aquela sensação de que está sempre atrasada para pegar o trem? Ou você é o próprio trem descarrilhado?
Bom, é isso voltei pra te cochichar ao pé do ouvido esta dica que se seguir garantirá um futuro mais saboroso para nós. E por ainda estar arraigado em meu DNA o controle, te preparar para um futuro logo ali, assim que virar a esquina.
Com mais fé que torna a vida mais rica e menos ansiedade que só dá rugas e gastrite.
E, não te esqueça, muita paixão por tudo e por todos que é o que nos levará a viver de verdade.
Boa semeadura para grandes colheitas.
Esteja atenta.
Te vejo daqui a pouco, na próxima curva da rua.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Sempre soube que ...


Marc Anthony revelou no site Contact Music que sempre soube que casaria com Jenifer Lopez. Há 12 anos, nos anos 90, ela foi apresentada à ele nos bastidores de uma peça que ele fazia na Broadway e ele disse: “ Vai ser minha mulher e ainda não sabes disso.”
Ela estranhou e demorou a reaproximar-se. Ele se achou péssimo por ter dito aquilo assim de sopetão, mas sabia que era uma verdade irrevogável.
Em 2004 eles casaram e estão juntos até hoje, com filhos, casa e tudo que consta na lista dos que dividem a mesma cama.

Como explicar este insight, esta luz que temos? Como entender esta antecipação do que vai acontecer? Este cheiro no ar de que já sei o que nós somos um para o outro, ou melhor, o que seremos.
Acontece de conhecermos pessoas que sabemos que há algo mais. Que há base embaixo do verniz desta relação. Não é somente verniz de uma relação de conveniências e interesses. Há unidade, núcleo.
É uma parceria, um encontro de almas, um entendimento que extrapola a razão. Que nem verbalizamos ou sintetizamos na maioria dos casos, somente rola de forma muita tranquila, porque não há jogo, vai fluindo.
Sensação de que - Cheguei, tô em casa! Ufa!
Sentimento de que finalmente estou aonde gostaria de estar ( naquele momento), um lugar bom e familiar após longa caminhada.
Não falo somente em opostos, falo em afins. Falo sobre amigos, parceiros profissionais , amores e todas as formas de laços sem propósito pré-definido.

Ressalto que não falo em eterno até que a morte nos separe ( imposto, obrigatório, acima do bem e do mal), falo sobre intensidade do momento e do tempo vivido com determinada pessoa. Mas isto dá um outro post. Vamos deixar na gaveta.

É o destino nos transformando em videntes.
Você já sentiu isto?

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Coisa boa um diabo, pra variar!


As boazinhas vão pro céu. As outras vão pro inferno bailar com o diabo, de preferência um tango bem caliente.
Tem pessoas que são a encarnação do capeta mesmo.
São literalmente uma droga. Você vive aquela paixão, enlouquece por alguns meses e faz tudo o que pensou e não verbalizou até então na sua açucarada vidinha.
Neste período de experimento com a nova droga em forma de diavolo, vive na corda bamba entre prazer e euforia. Anestesiada.
É aquela comichão. Só para quando alguém coça. Ele, só ele vai acabar com esta urticária.
Torpedos extrapolam a sua conta. A operadora até já lhe ofereceu um plano especial afinal você é cliente gold neste quesito sms. Ligações, que antes eram objetivas, se transformam em longas metragens.
Pira de vez. Pira de forma sadia, sem neuras só loucuras a dois.
Na maratona da perdição chega a perder 3 a 4 quilos. Não come mais... comida.
Joga tudo pro alto, trabalha pensando na noite que vai ter, visita a família pensando que vai pegar o carro e enlouquecer com ele daqui a meia hora.
Vai pra reunião de trabalho e só pensa no último final de semana que viajaram para Búzios, naquele resort paradisíaco. Voltou branca, mas com um brilho na pele...
Sai com os amigos, dá risada, mas o pézinho está ali batendo, impaciente, embaixo da mesa do bar. Não vê a hora de encontrar com ele, o diabo em pessoa, que incendiou o teu corpo e te tirou a sanidade mental, o eixo, o equilíbrio e pior, te mostrou sem sessão branca nem nada que és a encarnação mais pura da Ana Bolena misturada com a Gilda versão high tech, ultra pós moderna.
E a droga vai tomando conta do teu corpo, da tua alma.
E todos os dias pós drogadição você pensa: deu, não faço mais. Vou abandonar. Foi a última vez. Preciso da minha vida de antes. Blábláblá
Chega até mentir pra si mesma que cansou da história, de linhas tortas, que é a paixão de vocês. E o vício já te pegou de jeito e você se convence de que é só mais esta vez.
Sou forte. Largo quando eu quero.

E o tempo vai passando e o que era fora da rotina já virou a própria rotina.
Então um dia você cansa da fantasia, procura o dia a dia e percebe que não rola, vocês não combinam nem no estilo de filme que passa na sessão da tarde muito menos com as músicas que cada um curte.
A Ana Bolena e o Jude Law, versão tupiniquim, se separam.
Tiram férias da loucura.
E começa a reabilitação.
Expurgar veneno, soltar os demônios.
Vem o período de abstinência, entende-se por isto a tríplice aliança DVD – vinho – chocolate. Encastelada nas paredes seguras da sua casa.
Passado algum tempo, retornamos ao caminho de sempre. Afinal somos sobreviventes. Sempre a margem de algo que irá acontecer.
E começa tudo de novo.
Novos olhares. Esperanças. Injeção de ânimo
Fé na vida e na OMS, sempre criando novas drogas. Benza Deus !
Mas, caso dê uma topada com a droga antiga, pode tomar algumas doses se não causar tonturas e enjôos. Afinal recordar é viver.
E que venha os diabos!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Curta o vídeo



Uma empresa de telefonia móvel inglesa promoveu essa mobilização na Trafalgar Square, em Londres, reunindo mais de 13 mil pessoas. A empresa simplesmente mandou um convite pelo celular: "esteja em Trafalgar Square tal dia, tal horário". E nada mais foi dito.
Os que foram acharam que iam dançar, como tem acontecido em outras mobilizações desse tipo. Mas, na hora, distribuíram muitos microfones, fizeram um karaokê gigante, de surpresa.
E todo mundo que estava na praça, quem estava passando, quem nem sabia do convite, cantou junto.
É de arrepiar. E se você um dia curtiu os Beatles ( ou ainda curte como eu), vai se emocionar. É mpossível assistir esse vídeo e não se lembrar com muita saudade dos amigos que já estão distantes de nós, percorrendo outros caminhos.

Mobilização.
Sincronia.
Fusão.
Alegria.
Energia.
Sinergia.
Leveza.
Prazer.
Recebi de uma amiga.
Adorei.
Me fez bem.
Compartilhei.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Lembrancinha


SELO 5 SENTIDOS

Ganhei este selo, lindo e criativo da Deborah do http://doce-vida-dura.blogspot.com/

As regras são

1) Postar o selo com seu devido nome

2) Dizer o nome do blog de onde recebeu e seu devido link

3) Indicar a 5 blogs e avisá-los do presente

4) Dizer qual o sentido que melhor descreve você

5) Para cada sentido, escrever a resposta para as perguntas.


Audição - Qual o som que você gosta de ouvir? Qualquer som de pássaro no meio de uma mata cerrada, entre o silêncio e o nada

Visão - Qual sua imagem favorita? Tudo que lembre infinito, imensidão ( mar, estrada etc)

Tato - O que você mais gosta de sentir na pele? Beijos

Paladar - Qual seu sabor preferido? Chocolate

Olfato - Qual o cheiro que te faz bem? Perfumes, cremes e afins

O sentido que mais tem a ver comigo acho que é o olfato porque amo cheiros.


Indico para:
Para todos os que por aqui passam e curtem um café e um bom papo!

Valeu Débora!

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Solte a panela!

Existem panelas de inox, panelas de cerâmica, panelas de barro, etc.
Há também as panelas de pressões. Não gosto delas, quando começam a apitar já olho de soslaio, desconfiando, esperando a tampa estourar. E quando desligo, estico bem o braço quando tenho que largar embaixo da torneira da pia pra tirar a pressão. Já querendo fugir dali.
Não gosto de pressões. E quem gosta, né? Faz parte do mundo adulto. O negócio é se acostumar se acostumar.
Melhor dizendo, não lido bem com certas pressões.
Fico ali remoendo, me segurando nas beiradas e de repente o bicho explode. Como sou afiada na oratória sei que quando solto o verbo estouro a tampa da panela, na cabeça de alguém com certeza.
Aí é feijão pra todos os lados. Tem aqueles que ficam grudados no teto e dali não sai mais, da minha cozinha-cabeça e da cabeça do alvo atingido.
E, cansada após a "lida doméstica", penso o quanto é pesado e desgastante limpar a sujeira derramada.
Conclusão: melhor comprar feijão congelado.


Um tapa dói e passa. Palavras ficam no ar, pra sempre.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Lembrancinha da Débora



Lindo o selo que ganhei da Dé do doce-vida-dura.blogspot.com.
Valeu !!!!

A regra é indicar 10 blogs para receber, mas como são muitos que eu gostaria de enviar, vou deixar em aberto. Sintam-se em casa.
Todos os que fazem parte desta " comunidade do café e papo" com certeza, acertam em cheio.


Lembrancinha I

Meu Desktop - Imagem da banda The Kooks

Recebi da Débora do blog http://doce-vida-dura.blogspot.com/ essa idéia que passo para a frente.
Regras:
Salvar a imagem de seu desktop e postá-la.
Indicar outros 5 blogs para receber e proceder da mesma forma.
Dica: É só dar um “print screen” do desktop seu desktop e salvar como imagem e postar.

Indico para os amigos que por aqui passar, para bater um papo e tomar um café ( virtual) e quiser postar a brincadeira.

Valeu Débora! bjos

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Persona non grata


Existe uma frase antiga que diz mais ou menos assim: " nada é mais triste do que uma caixa de correio vazia"
Hoje mudou.
Nada é mais vazio do que ir no verificador.net ou na ferramenta do seu msn e descobrir quem te bloqueou. Será?

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Eu e ela. Ela no meio da minha estrada



Foi amor a primeira vista.
Ipanema, Rio. Anos 80.
Uma menina fazendo compras com a tia, de repente surge na sua frente uma adolescente com um sapato de plástico transparente, estilo boneca, com bolinhas brancas.
A garota cutuca a tia , discretamente, pra ela ver o objeto adorado. A tia muito cara de pau indaga pra adolescente onde ela comprou.
Quem não lembra das primeiras Melissas, nas cores marrom ou cinza? Tinham até cheiro diferente.
Este é o início de uma longa relação entre a menina e várias Melissa que foram adquiridas no decorrer dos anos.
Hoje esta menina ainda gosta de Melissas e sua filha com 16 anos é uma das consumidoras, nas cidades pólos, que dá pitaco quando está para sair uma nova coleção.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Surgindo novas idéias - conceitos não engessados


Amorosamente falando, quando era mais nova, não olhava muito para garotos novos, ou melhor, não olhava mesmo. Não era nada engessado, mas não rolava. Curtia homens maduros, que eu achava, porque em alguns casos, revelaram -se pequenos adultos, grandes crianças. Enfim, não tinha paciência em viver uma relação qualquer com meninos que, no mínimo, não tinham vivenciado o que já vivi. Preconceito? caretice? Sei lá, este tempo e pensamento já virou pó faz horas.

Então a faixa combinada dos meus amores eram da minha idade pra cima, jamais pra baixo. De uns tempos pra cá comecei a ter sede de olhar rapazes mais novos, com viço na pele, pele tenra. E nestas atenções e observações percebi como estão cada vez mais interessantes estes garotos. Cabeça boa, conceitos mais relaxados, menos neuras. Nem tantos vícios e chatices dos mais velhos e resistentes.

Nem tão garotos que também não sou tia de creche, né? Mas na maior inocência e em alguns casos com olhar de cientista pelo simples prazer da curiosidade, admiro cada vez mais os jovens.
A beleza,interna e externa, nos atrai porque somos assim. O belo nos dá prazer por si só.

Fiquei estranhando e pensando porque mudei. Não que mudar não seja salutar, até porque mudo a toda hora como boa geminiana que sou. Meu lema : nada é estático, tudo é dinâmico.

Mas voltando ao que já está. Será que é a vontade de permanecer jovem ? Será um pequeno desespero ali instalado em querer parar o tempo e me agarrar ao que é novo por me ver indo e eles chegando?

Não sei, talvez seja um pequeno devaneio ou um mix de sentimentos, pouco de tudo. Uma viagem este pensamento que surgiu do nada e irá embora logo em seguida.

Então no meio de um trabalho, estalou um pensamento em mim, não depurei, não filtrei e vou abrir para um fórum de debates entre nós. Vamos burilar a idéia, seja ela correta ou não.

Será que é na vontade de vampirizar ( no bom sentido) e segurar o frescor da adolescência que muitos homens, numa certa altura da vida, querem alguém bem mais jovem?

Será que não trabalham bem quando estão frente a frente com um futuro mais velho?

Será que realmente acham a velhice feia? Porque não é! O tempo não apaga a caminhada bonita que construímos, e sim enobrece o resultado daquilo que nos fez, do que somos!

Quem sabe vampiros de uma juventude que já se foi?

O que vocês acham?

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Desapego não é esquecimento

Precisei reler este post antigo e como recordar, em alguns casos, é reviver.
Aproveitei pra alterar alguns trechos.



Nosso amor de ontem, ficou no ontem e como tal nos permite seguir adiante sem dor, sem sofrimento, mas com a certeza de que vivemos de hojes e sendo assim foi boa a nossa relação enquanto preencheu as nossas vidas, enquanto cumprimos a nossa parte no trato velado de sermos fiéis a quem somos e sermos leais enquanto a palavra nós existia entre a gente, carinhosamente e sólida. Ponto.
Foi isto que vivemos e que nos permitiu chegar a outras relações prontos a nos entregar sem traumas e medos. Sem vícios de relações vividas anteriormente. Sem lados B doentios.
Não precisamos superar o passado.
Como se desvencilhar daquilo que faz parte da nossa história? Daquilo que nos faz um pedacinho do que somos hoje nas bagagens acumuladas que fizeram o nosso mapa mental ser tecido como foi, retalhado, costurado e modelado nesta colcha de retalhos que se chama vida e enxergar o mundo do jeito que vemos agora.
Mas nós somos mais do que o passado. Somos aquela estrada que pavimentamos no decorrer do caminho e que em alguns pontos nos colocou em encruzilhadas, um leque de opções e noutras nos deixou frente a frente com um horizonte infinito. Escolhas. Somos elas até mesmo inconscientemente até a raiz dos nossos cabelos. Afinal Freud descobriu que nem tudo é regido pela razão, há um inconsciente aí gritando e nos explicando (ou não). Tudo depende da leitura que fazemos. E, afinal não somos Freud de ninguém somente de nós mesmos.
Mas somos, antes de qualquer coisa, o aqui e o agora.
Por isto se desapegar do que ficou não é esquecer. É simplesmente entender que o passado não temos controle, não somos mais responsáveis pelo que já era. É somente o resultado direto ou indireto da ação que por conseqüência gera uma reação. Ou vice versa de tudo?
Sendo assim, acabou. Foi. Sigamos em frente.
Já disse alguém que o passado é uma prisão que nós temos a chave da cela, basta abrí-la quando quiser. Faça uso da sua chave e descubra que tudo que fomos ontem não podemos modificar, mas podemos com as ferramentas certas escrever uma história diferente agora, no presente.A vida é um presente e ela está no agora!
O futuro ainda é uma caixinha de surpresa (ou de Pandora?)
Portanto, viver o nosso tempo juntos foi lindo, foi um prazer e me orgulha sim te olhar nos olhos e ver o que restou do que vivemos num passado bonito de nós dois, aquilo que ajudou de certa forma a construir o que somos hoje.
O resultado do que sou hoje está diretamente ligado a uma parte das pessoas que passaram ou ainda fazem parte do meu roteiro de vida e assim é com aqueles que chegaram até mim. Ninguém passa incólume pela vida de alguém, fica e leva algo.
Nesta multidão toda encontra-se nós, em alguns momentos, juntos. Mas é um passado, conjugado no era, impossível voltar atrás e portanto deve permanecer naquela época. Envolto em papel de seda azul anil para não amarelar. Guardado com carinho e delicadeza.
Você um dia vai entender que é preciso, às vezes perder para ganhar.
E é importante entender que a hora é de seguir adiante. Sempre pra frente.
Liberte-se!

terça-feira, 28 de julho de 2009

Da série Amigos são tudo o que há de bom

Amanhã temos bate papo lá no Basco Loco.
Eu e elas, que não nos vemos sempre, porque a correria não permite e talvez porque nesta matemática lógica se encontre o fôlego necessário para que a amizade cresça. Porque tudo que é demais enjoa, carece e fenece.
Na certeza de uma relação sólida se reafirma o conceito que não é preciso o exercício diário para que o que está ali permaneça certo, forte e indestrutível.
A lealdade de uma boa amizade.

terça-feira, 21 de julho de 2009

O que é do homem, o bicho não come. Já diz o ditado.

Para aquecer o coração e alegrar a alma.
Saiu na ZH de hoje e não resisti. Então para aqueles que não leram, lá vai:

"Reencontrada, carta resgata uma paixão
Britânico e espanhola se casam depois que uma correspondência enviada há 10 anos é descoberta

Um pequeno azar, daqueles que podem acontecer com qualquer um, fez com que os dois perdessem 10 anos de vida em comum. Mas, felizmente, a paixão entre o britânico Steve Smith e a espanhola Carmen Ruiz Pérez teve um final feliz, graças a uma carta finalmente encontrada e lida pela pessoa a quem era dirigida. Eles se casaram na última sexta-feira.

Smith e Carmen se conheceram em 1992, quando ambos tinham 25 anos. Na época, Carmen estava no condado de Devon, sudoeste da Inglaterra, para estudar inglês, como parte de um programa de intercâmbio. Eles se apaixonaram e viveram um ano juntos, até que a espanhola se mudou para a capital francesa, Paris, para trabalhar em uma loja. Os dois acabaram perdendo contato, em parte porque telefones celulares ainda não eram tão populares na época.

Seis anos depois, Smith tentou retomar a relação. Como não sabia onde a amada morava, enviou uma carta endereçada a Carmen para a casa da mãe dela, na Espanha. Conforme a imprensa britânica, que revelou o caso ontem, quando a correspondência chegou, a mãe de Carmen a colocou na parte de cima da lareira. A carta acabou caindo em um canto – e só foi reencontrada 10 anos depois, quando a família fez uma reforma na residência.

A mensagem de Smith dizia: “Espero que você esteja bem. Escrevo só para perguntar se você se casou e se ainda pensa em mim. Seria maravilhoso saber de você. Por favor, entre em contato, se possível”. O britânico, que depois de algum tempo deixou de esperar uma resposta, disse que foi econômico nas palavras porque achava que Carmen havia se casado. Quando a carta finalmente chegou às mãos da espanhola, que continuava solteira aos 42 anos, ela ligou para o telefone que Smith escrevera.

– Quase não liguei. Pegava o telefone e o colocava no gancho. Mas sabia que tinha que dar esse telefonema – contou ela.

Dias depois, os dois se reencontraram em Paris e descobriram que continuavam apaixonados. O britânico descreveu o reencontro:

– Foi como em um filme. Corremos pelo aeroporto até nos abraçarmos. Voltamos a nos ver e nos apaixonamos totalmente outra vez. Trinta segundos depois de nos vermos, já estávamos nos beijando.

O final feliz dessa história de amor foi escrito no último dia 17, quando os dois se casaram na cidade de Brix- ham, onde haviam se conhecido 17 anos antes.

– Nunca tinha me casado. Agora, casei com o homem que sempre amei – declarou a noiva.

Londres"

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Ilusão da recuperação


Um amigo ligou, aliviado, contando que finalmente deu um basta naquilo que já era, seu casamento.
Casou cedo, construiu uma carreira sólida, estava de bem com ele e seus feitos pessoais e profissionais, mas não com aquela pessoa que resolveu, muito cedo, viver.
Então depois de várias fases, na gangorra, finito.
Feliz e faceiro me disse que, apesar de nenhum arrependimento de sua vida a dois, queria muito recuperar o tempo perdido. Recuperar o que não fez entre os seus 20 aos trinta e poucos.
Fiquei ouvindo toda aquela euforia que por alguns momentos me pareceu meio placebo, pensei indecisa se falava, para não bancar a amiga-ducha-fria, mas amigo que é amigo tem, algumas vezes, de estender a mão e puxar o outro pra terra.
“- X, impossível recuperar o tempo perdido. Isto não existe! Quem sabe você parte do que tem e faz uma nova história, um novo capítulo?”
Não preciso dizer que daí pra madrugada tecemos vários discursos na nossa terapia de amigos.
Acredito nisto que falei e a liberdade na nossa relação me deu chance de dizer isto pra ele.
Na ânsia de viver tudo aqui e agora, o deslumbramento com as novas descobertas e possibilidades nos faz achar que o novo é novo, mas na real é somente o cotidiano com nova roupagem. Passados dois, três meses de muitas baladas e pegação tudo volta às mesmas porque as pessoas são previsíveis em certos aspectos.
A euforia é uma droga forte na passagem entre casadinho e solteiríssimo. Só que o barato como qualquer droga dura pouco.
Veja bem não estou levantando bandeira que estar casado, namorido ou namorando ( seja lá o nome que der a uma relação) é o que melhor existe no cardápio. Não! A melhor opção pra se viver a dois é quando estamos vivendo muito bem com a gente, então dá pra partir pra uma vida a dois. Partilhar a satisfação é um bem necessário. Lembrando que devemos ter alguém quando estamos bem.
Separou? Faz o enterro com o que ficou e o que foi embora seja a pessoa que construiu com você, um traste ou amor da sua vida., elabora o luto, mesmo que seja de dois dias ou um ano ( mais que isto é doença, amigo!), reza a missa de sétimo dia e aí vai viver a vida seja ela do jeito que você quiser. Só não acende vela pro defunto que periga a alma penada aparecer pra você.
A vida é sua, você paga as suas contas, o resto que se dane, benhê!
Segura a onda, a euforia e come pelas beiradas assim o risco de novas perspectivas com resultado zero, estatelado no chão, é mínimo. Lembra sempre: no desespero se faz péssimos negócios!
Sei que é difícil, com a carta de alforria em mãos, a borboleta voando no estômago e o mundo ali fora te convidando a experimentar o pecado que mora mais dentro da gente do que ao lado é tentador misturado a doses de medo e prazer.
Curte a liberdade, principalmente a liberdade de ser.
Aquela liberdade que dá vontade de sair pela estrada, nu de mão no bolso cantando laialaialaia.
Curta o seu tempo pra se achar dentro de você e quem sabe, numa quebrada dessas da vida, começar tudo de novo. A dois.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

A arte de saber levar um pé na bunda. Ou não!


É díficil terminar uma relação.
É complicado ser despejada quando se é inquilina de algum coração que você pagou certinho o aluguel, mês sim mês não, religiosamente. Mas é a vida, hoje em dia adquirir cadeira cativa no coração de alguém requer planejamento, cuidado, carinho e querer, muito querer de ambas as partes. Só amor não soma. Pode até subtrair.
Não quero dizer que é impossível viver no coração de alguém eternamente ( sem esquecer que tudo é eterno enquanto dura), mas com certeza é uma tarefa a dois.

Abençoados ou privilegiados os que se amam eternamente no mesmo ritmo.

Também não é tarefa das mais prazerosas ser o algoz, aquele que levanta a foice e ceifa o que quer que se possa chamar de relação.
Mas a vida é recheada disto e uma das coisas mais complicadas de se elaborar ainda é o luto, a perda, o rompimento e principalmente a retomada da vida sem ser no plural.
O processo de desligamento é doído para ambos os lados, requer mecanismos de defesa desde a fogueira das fotos, pois envolve hábitos, carências e lugares vazios.
Saibam que o “bandido” da relação também sofre.
Mas vou mais longe, ainda paira no ar a pergunta: o que é mais difícil, separação imposta por nós ou pela vida através da morte? Por mais que exercitamos estas perdas nunca estamos preparados quando ela chega. Ela vem de sopetão, sem pedir licença chega chegando, por maiores os sinais ali exposto.
Desde que o mundo é mundo, atire a primeira pedra quem alguma vez não foi bandido ou mocinho e que de alguma forma não sofreu com o seu papel em cena. Não existe platéia, aplausos somente o silêncio carregado do último diálogo, gesto e olhares.
E neste processo de aprendizagem ( alunos eternos que somos) tem algo que uma pessoa me disse e que se tornou libertador em vários sentidos:

“ Só porque eu te amo, você não é obrigada a me amar. Simples.”

Precisamos aprender a lidar com as várias matizes dos sentimentos.
A intensidade nem sempre será a mesma. Não entendemos (ou não aceitamos) porque gostaríamos que o João nos amasse como o amamos, que a Maria fosse nossa grande amiga como somos dela. Pode não acontecer no mesmo ritmo, no mesmo timing. É a vida girando.
Talvez entender isto nos tire um grande fardo das costas, o da responsabilidade, do laço, do nó. E então me desculpa Saint – Exupéry, mas não somos responsáveis pelo que cativamos. A responsabilidade das SUAS expectativas está com VOCÊ e com mais ninguém.
Somos responsáveis sim em termos zelo pelos outros e ponto.

Comecei este texto para falar de
CUIDE DE VOCÊ
A história real de Sophie Calle ( artista plástica) que levou um pé na bunda via e-mail de seu namorado Grégorie Bouillier ( memorialista) e resolveu fazer deste ato uma arte através da exposição “Prenez soin de vous”.
O mote da exposição fez a artista convidar 107 mulheres, famosas e anônimas, amigas ou estranhas, para analisar, interpretar e “esgotar” as mensagens contidas no texto e em seus subtextos. “É mais fácil realizar um projeto quando sofremos do que quando estamos felizes"diz Sophie. Acredito nisto quando estamos no fundo do poço a inspiração sempre é maior. Porque será?

Estes dois franceses resolveram lavar a roupa suja e quem sabe dar o último suspiro desta já mofada relação numa mesa na Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) no sábado dia 04.
Será que ela realmente elaborou bem o rompimento da relação? Ou precisou soltar os demônios e expurgar o veneno? O que você acha?

Segue algumas frases do casal que um dia deve ter sido feliz junto:

Calle - "Eu não leio nunca, acho que esta foi a primeira vez." (sobre fazer a leitura em voz alta de seus textos)

Boullier -"O Grégoire do livro... sou eu. É a parte trágica e engraçada de estar aqui."

Boullier - "Não importa quem, somos personagens do romance de nossa própria existência."

Calle - "O projeto acabou se tornando mais interessante do que a história de amor. Se tivesse visto Grégoire enquanto o fazia, não teria continuado. Por isso, desapareci dentro do projeto."

Boullier - "...esse e-mail terrível, 107 vezes terrível..."

Boullier - "Me sinto privilegiado com a história [da exposição]. Não concordo com o sentido, mas me sinto privilegiado."

Calle - "Você sabe que eu sei me cuidar."

Calle - "Eu achei que a minha resposta era a adição das 107 mulheres. Eu era a artista ali. Eu as convidei e não retirei nenhuma do projeto."

Boullier - "O e-mail não é um projeto de um escritor. Um escritor não pode delegar os seus sentimentos a 107 pessoas."

Boullier - "Em 'O Convidado Surpresa' [livro de Boullier] tem uma página que anuncia o rompimento. Gostaria que ela tivesse usado essa página para a exposição. Aí sim teria sido um trabalho de escritor."

Calle - "Para mim, era a carta de um homem atrapalhado que não sabia como cair fora." [Referindo-se ao e-mail de separação]

Bouillier - "Eu queria deixar a Sophie. Mas todas as mulheres que amo eu chamo de 'vós', é a minha linguagem de apaixonado." [Em resposta a uma pergunta do público a respeito da formalidade como se referia a ela]

Calle - "E todos os homens com quem eu durmo eu também chamo de 'vós'."

Ao final da mesa de discussão, Calle relatou a última conversa dos dois antes de subir ao palco.

Boullier - "Se você se desculpar eu caso com você"

Calle - "Mas eu não me desculpei, então não tem o que discutir".

Boullier - "E ninguém disse que eu o faria [o casamento]."