quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Aquilo que te faz seguir. A força que te conduz.

Tem dois assuntos que não discuto nem com cachorro. Religião e política. O primeiro é de foro íntimo e o segundo é maçante.
Cada um na sua e eu nada a ver com a de ninguém. Respeito antes de qualquer coisa.
Mas hoje este assunto dançou na minha cabeça e comecei a escrever.

Acredito em Deus, já vi milagres acontecendo e senti nisto a presença Dele.
Já senti o vento (que eu adoro) me beijar, um arrepio no braço, uma sensação de plenitude que me fez pensar em Maria, uma bela cena, uma imagem, um local que tive certeza da mão de Deus por ali.
Rezo, uma reza particular com Ele entre ave marias e pai nossos e seus santos, um papo que acontece entre nós, só nosso e pode ser o mais prosaico, caminhando na rua ou na companhia do meu travesseiro. O local é secundário, o momento quando acontece é vital.
Percebi algumas vezes o perigo me rondando e da mesma forma me rondava Jesus me protegendo, ali do meu lado, a um passo da minha mão, quase palpável.
Acredito em anjo da guarda, meu guia, minha voz interior, mas antes de mais nada alguém destinado para mim.
Sou global e não universalista que vem de uno, unidade e acredito que existam muitas outras forças além do território cristão, em outras culturas e crenças muito interessantes. Simpatizo com a maioria. E como cresci em bairro de judeus e convivi com eles e seus rituais desde pequena e até hoje muitos fazem parte do meu jardim especial, sempre acreditei que em alguma vida fui judia. Sinto isto tamanha a minha sintonia.
Mas me nego veementemente a imputar à minha pessoa esta culpa tão judaico cristão da nossa sociedade. Culpa de ser feliz, culpa de ter sucesso, culpa de tanta coisa que o mundo está sempre se desculpando de algo. Culpa virou sobrenome. Tento ao máximo não ter culpa. Culpa é para os fracos e oprimidos, e não acho que o reino dos céus seja só deles e não me incluo nesta categoria porque os fracos/culpados de alguma forma flertam com um certo poder.
E em certos momentos, sinto pena de Jesus de tanto que o alugam, muitas vezes em momentos banais, em pedidos fúteis e culpas desmerecidas que atribuem a ele.
Não pego isto pra mim, sou contra muitos temas arcaicos que a Igreja - política prega. Padres definitivamente não são a minha praia, apesar de admirar freiras e seus mistérios, suas quietudes e suas abnegações. Simpatizo com elas. Admiro as suas devoções e ruptura com um mundo tão convidativo, tão atraente.
Agora se for pra seguir conselhos de alguém, não será de um padre que vive a deriva das ações mundanas. Prefiro das pessoas que realmente vivem aquilo que falam. Nada substitui a experiência das ações. Como falar, por exemplo, de casamento, se nunca casaram?
Sinto necessidade de ir a missa em alguns dias, apesar de não ir com frequência e ter uma igreja na frente da minha rua como se estivesse abraçando, e porque não dizer, abençoando os moradores. Igreja bonita com escadaria e tal, famosa pela disputa entre as noivas para agendar seus casamentos.
Quando vou é uma necessidade mais forte que me puxa pra lá. Vem de dentro, não é obrigação. Não sou dada a obrigações em nenhum aspecto da minha vida pessoal. Obrigação e culpa caminham, às vezes,juntas tirando o prazer do ato em si. Laços pessoais obrigatórios não fazem a minha cabeça. Alguns tipos de laços não me atraem, me deixam aflita, seja num laço bem dado na sela de um cavalo antes de montar, seja na fita da sapatilha quando era jovem, ou com pessoas na minha vida.
Gosto do que vem sem amarras, sem nós. Curto mais e me comprometo mais ainda. Isto são laços de lealdade, comunhão e união. Flui de forma espontânea, sem imposição.
Voltando a igreja, quando subo aquelas escadas e assisto a missa é pela necessidade da energia de massa que emana de lá. Pela comunhão no canal direto com a força. Vida é força.
Força que sinto na energia dos que foram até lá por suas necessidades, pelas músicas que, ainda arraigada em mim, está a fala da minha avó materna que dizia que quando se canta na missa se reza em dobro. Então eu canto com fé, não com desespero. E me emociono.
Deus é um amigo, poderoso, mas não uma entidade distante de mim.
E aí entra a fé, onde somente a sonoridade da palavra já me encanta. Me lembro de uma camiseta da Fórum que eu tinha com esta palavra que realmente (re)move montanhas.

Fé e religião são dois assuntos distintos. Fé não é mérito somente de religiosos.
Fé é conquista de quem caminha de mãos dadas com algo mais forte, inexplicável. Com a vida.
Fé é antes de mais nada acreditar que o mundo conspira. A teu favor.
É apostar no abstrato que nos surpreende no concreto da vida como resultado.
Por isto antes de qualquer dogma tenha fé!

19 comentários:

Teórico disse...

Parece que combinamos no assunto, embora o foco seja diferente. Mas também falei sobre a fé. A fé que não é vinculada a religião nenhuma, a fé que cura, que ajuda as pessoas, fé que sim, remove montanhas e faz a vida ser mais leve.

A fé precisa ser preservada independente da religião.

Belo texto Carol

ஜ♥ Sara ♥ஜ disse...

Oi Carol!
Tem um selo te esperando lá no Saracotear...
Bjs.

Debor@h disse...

Oi Carol, também acho que independente de religião, a fé e a força que ela nos dá, a paz que nos tranquiliza quando mais precisamos, é muito mais importante do que qualquer outra coisa. E quantas pessoas se dizem religiosas e praticam atos abomináveis em nome de Deus, Jesus e de não sei quem mais. Em primeiro lugar somos seres humanos e devemos respeitar cada um como pessoas e viver a vida da melhor maneira possível, e jamais fazer aos outros o que não gostaríamos que fizessem para nós.
Eu sou judia, minha mãe é judia, meu pai é católico não religioso, e eu sempre me dei bem com pessoas de quase todas as religiões, porque somos em primeiro lugar pessoas e não religiões! Adorei o post. Beijão!!!

Teórico disse...

Oi Carol, que bom que meu texto te fez pensar. É ótimo saber que a gente através de nossos textos consegue fazer as pessoas refletirem. Medicina apesar de ser um ciência, é também um ato de fé, de esperança de coragem. Muitas vezes vi coisas na minha profissão que contando, ninguém acreditaria. Coisa que só Deus explica.


Beijos

Dama de Cinzas disse...

Belo post!

Odeio política e religião evito conversar a respeito, exceto quando é com alguém que sei que acredita nas mesmas coisas que eu, aí vale um papinho...

No mais sou muito ligada a Deus, mas não vivo enfiada em templos. Converso com Deus praticamento o dia todo, é algo muito forte na minha vida.

Passei por muitas religiões mas o Espiritismo de Kardec foi a que mais me trouxe as respostas que queria... Mas tb não vivo enfiada em centros... apenas vou uma vez por semana assistir uma palestra...

Beijocas

Heloísa disse...

Carolina,
Parabéns pelo lindo texto. Inteligente, sensível e cheio de fé.
Beijo.

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

Carol,

Não sou muito ligada a igreja, mas sou totalmente apaixonada por Deus. Fé é individual e por esse motivo tem tanta igreja querendo fazer o coletivo de sentimento. Nos dias de hoje não podemos seguir ao pé da letra o que nos ensina. Temos que filtrar o que achamos certo e seguir com o nosso coração intacto. Porque na realidade é isso que importa, crer com amor e fervor.

Beijo grande, menina linda.

Rebeca

=

Lili Tormin disse...

Olá Carol,
Não gosto muito de discutir religião também, mas o mais importante é acreditar em algo maior... Como diz você é ter Fé, acreditar que tudo tem um propósito.
Falar de Deus é falar dos mais íntimos de nossos sentimentos, é expor nossas crenças e valores perante a vida.
Gostei o texto, possui sensibilidade e respeito.

Tenho um selo para você em meu blog, acompanhado de um convite. De uma olhada no Ócio do que se trata.

Bjinhos

Sonia disse...

Afff...!!!Já chequei com esse texto!!!
É isso aí!
A fé move o mundo!
Vim agradecer a sua força,amiga!
Já estou de volta e vamos ver até quando!
Uippp...mas vou e volto porque eu tenho FÉ!
Bjsss...milll...

Daniel Hiver disse...

Olá Carolina. Me escala nesse time que eu honro a camisa. rsrsrs O time dos que não discutem acirradamente convicções religiosas e dos que estão cansadas das incoerências da vida política e dos políticos, e que evitam, por isso, gastar seu tempo em longas tergiversações.
Li o que disse sobre as "aves-marias" e "pai-nossos". E se permitir uma opinião singela, eu acredito que Deus ouve melhor o que somos quando falam,os a ele em nossas próprias palavras. Sem recorrer muito a essas em que as palvras sempre são as mesmas, se repetem e, se não cuidarmos, saem quase no piloto automático. Um bom final de semana.

Denise do Egito disse...

Carol,
Sobre "alugar" Jesus, lembrei que acho um absurdo gente rezando e pedindo pro time ganhar jogo, campeonato, copas e taças. Um absurdo total. Tipo "sem noção". E fé... Bem, fé é algo dificílimo de se ter. Muitas vezes é abalada e é por isso que, penso eu, antes de mais nada, devemos pedir a Deus para nos ofrtalecer a fé.
beijos e ótimo finde

feriadoantecipado disse...

sem comentários, simplesmente muito belas palavras... :)

abraços...

Dalva disse...

Oi, Carol!

Nós somos seres espirituais, e Deus sempre está nos atraindo para ele... fomos criados por Ele e para Ele... achei muito bonito o modo como você descreve a oração:

"...caminhando na rua ou na companhia do meu travesseiro. O local é secundário, o momento quando acontece é vital..."

Deus é mesmo esse amigo inseparável, que nos escuta a qualquer momento!

Um final de semana de paz, querida!

Bjs.

Elaine Crespo disse...

Carol!!

Não precisa dizer que adoro o blog!
O titulo dele me atrai muito, além de viciada em café gosto de conversar emquanto tomo um cafézinho ou chá!

Tem um selo pra você no meu blog Day by Day! Se não gostar de postar selo tudo bem, fica a seu critério!


Um lindo Fim de Semana!!

Um grande beijo!

Elaine

Mahria disse...

Nossa domingo e um papo desse logo cedo, é maravilhoso. Sincero, sem medo de expressar sua opinião em um tema tão "periculoso". Religião. Gostei do que li, e concordei em alguns pontos, como em relação a padres, a sua fé e principalmente em relação a Deus: amigo, poderoso.

Bjs
Mahria


P.S
Para te dizer que vim por indicação da Elaine UM POUCO DE MIM...

citadinokane disse...

Carol,
Disse tudo.
Gostei... e sigo o vento que te beijou, ahahaha...
abraços,
Pedro

adoroeponto disse...

vou deixar só meus "clap clap clap clap". Palmas... porque esse texto, não se discute!

Babi Mello disse...

Carol preciso reescrever o que vc escreveu "Prefiro das pessoas que realmente vivem aquilo que falam. Nada substitui a experiência das ações. Como falar, por exemplo, de casamento, se nunca casaram?" certamente acredito nisso piamente.

Sou daquelas que vou a missa todos os domingos porque lá me sinto tão bem e me renovo. Religião todos podem julgar que tem, mas fé é algo que se conquista com muita oração, confiança e na verdade das palavras.

Gostei muito do seu post e gosto muito de falar sobre isso, porque se não fosse a fé que emana de mim, não saberia o que fazer em muitas coisas que já me aconteceram, apesar de tão nova, passei por algumas provações já.
bj!
Muito feliz o seu post, gosto de refletir qdo leio coisas assim.

Renata Nogueira disse...

Carol, não só gostei, como me identifiquei demais com seu texto. Parabéns!!
Beijão