terça-feira, 30 de junho de 2009

Carta a um desconhecido famoso

( 1958 - 2009)

Caro Michael
Lamento tudo o que lhe aconteceu.
Principalmente lamento o talento extraordinário que se foi.
Estranho como pessoas de sucesso estão indo cedo...
Lamento você ter perdido o bom da vida, olhando a mesma pela janela, provavelmente chapado sem saber pra onde ir nem de onde voltar. Ou seria escondido em alguma burca por aí?
Mas lamento mesmo você ter tido oportunidade e grana pra se tratar com um ótimo profissional que lhe ajudasse, não a superar o passado, mas fazer as pazes com ele (aceitar) e aí então realmente começar a viver a vida no hoje e no agora, que poderia ter sido melhor dos que os retalhos e remendos artificiais que fizeste dela (e do seu rosto, claro!). Faltou foco, norte, orientação, lucidez e maturidade no meio do caminho.
Deve ter faltado muita coisa pra preencher o vazio natural de sermos o que somos.
Resiliência e superação poderia muito bem ter sido o teu sobrenome. Tudo bem que no meio do nome e sobrenome estivesse a palavra solidão.
Quem não a tem? Ela às vezes é até salutar, sabia?
O que será que faltou?
No seu caso e em tantos outros fica a pergunta flanando no ar: o que adiantava dinheiro? O dinheiro será que foi sua sina? A fatura era muito alta?
Claro que não sou hipócrita e sei que deprimir numa banheira cheia de sais em Paris, com certeza , é mais fácil de superar a tristeza e a dor do que ficar deprê tendo que trabalhar no outro dia. Só que dinheiro tem que ser facilitador, não complicador das nossas vidas, mas pra isto a gente precisa domar o bicho e segurar as rédeas com firmeza.
Simplista? Sim, afinal nunca tive a grana que você tinha e as complicações que envolve ela, então é fácil demais dar pitaco naquilo que não sei.
Tudo são especulações de uma reles mortal atiçada pela curiosidade midiática.
É óbvio, não te conhecia.
Quando falo em derrotas e fracassos vale para o seu lado B, o lado negro da força ou seja lá que nome vamos dar, se é que você teve lado pessoal em algum momento da sua vida solitária. Inglórias estas que não envolvem seu lado profissional, revolucionário e visionário, que me tirava o ar quando babava vendo você dançar e cantar. A sua insustentável leveza de ser mexendo o corpo e os pés me deixa (ainda) boquiaberta como “ bailarina clássica aposentada”.
Te desejo, se você já estiver em outra vida, a paz que te faltou nesta.
Boa viagem, se ainda estiver no caminho!

11 comentários:

Nine disse...

Oi, Carolina...
Gostei tanto de ler tua carta, que fiquei aqui perdida devaneando, imaginando como seria se pessoas que se perdem no caminho, assim como Michael, e que aparentemente possuem todos os recursos do mundo, poderiam viver melhor, com mais qualidade e dignidade. Mas eles se perdem, e por isso se vão tão cedo, e a gente fica aqui a pensar, quem falhou?
Parabéns pelo belo texto. A gente sabe que é um ser distante, famoso, como tantos. Mas sempre fica a reflexão.
Um beijo grande.

Babi Mello disse...

Carol que texto maravilhoso, intenso e realista. É uma pena que Michael não teve estrutura nem alguém que o amasse de verdade para poder lhe direcionar. É uma pena que ao olhar se no espelho não via nada e não vi nem a si mesmo, acredito que não via nem alma. Uma pena mesmo, foi o rei agora resta apenas a lenda o mito.

Respondendo suas perguntas: Espero mesmo virar especialista nessa área, afinal estou realizando sonhos.

Essa caricatura não foi eu quem fiz, são eles sim, não tenho o dom do desenho.

Orgulho e Preconceito: maravilhoso!

A Cabana... estou digerindo... por enquanto não posso dizer nada, mas posso afirmar falta alguma coisa.
Depois que eu terminar, posso lhe permitir as minhas percepções.
Bj!

Monica Loureiro disse...

Lindo e triste o seu post..
Ele se tornou um "boneco" no final da vida

Valéria Martins disse...

Querida, eu não estava lá para ver. Mas pelo pouco que eu sei, faltou o que falta a todos nós, em maior ou menor quantidade (de falta): Amor. A falta desse elemento essencial e primordial determina nossas vidas. No caso do Michael, sei que o pai era tão severo que ele chegava a passar mal quando o via. Uma pena!

Mas agora, creio que ele está em paz. E está vivo! Ontem mesmo, meus filhos puseram Thriller para tocar e estavam dançando, imitando seus passos na sala aqui de casa. pensei e disse: "Michael está vivo! Olha aí"

Carina disse...

sensacional a tua carta....serve para muitas pessoas não famosas também....o que algumsa pesssoas fazem da sua vida né?

Cris Animal disse...

Carolina querida, andei viajando muito, meu blog ficou um tempo parado e realmente está fechado agora. Se quiser entrar por lá, o que me deixará muito feliz, preciso de um e-mail seu para mandar autorização.O e-mail do seu blog.
Escreva-me:
crissvm@hotmail.com
ou
acsvmf@yahoo.com.br

beijo enorme e saudade de vc!

Iêda disse...

Muito criativo seu texto! Parabéns.
beijão

Valéria Martins disse...

Venha pra cá, ué, e a gente passeia por aí...

Quanto ao Michael, eu viajei para a FLIP e voltei e ainda estão falando no cara! Esse mundo da mídia cria cada coisa...

Bjs!

Éverton Vidal disse...

Carolina,

Gostei mesmo. Muito mesmo. Muito ao quadrado rs.

Você é inteligente e criativa. Gosto disso. Parabéns pelo blog e vou segui-la.

Bill Falcão disse...

Beleza de carta, Carol!
Bjoooooooo!!!!!!!!!

Carolina Braga disse...

Também gostei da carta! ;)
Como nas palavras do Vinicius de Moraes: "A vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros pela vida..." Espero que pelo menos agora o Michael encontre a paz que pouco teve aqui na Terra...