sábado, 10 de julho de 2010
A fúria e os tempos modernos de homens arcaicos
“- Qual de vocês que é casado que nunca brigou com a mulher?Que não discutiu, quem até não saiu na mão com a mulher? Não tem jeito. Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher.”
Esta frase é do Bruno, aquele homem que recebeu uma oportunidade de reverter a história de sua vida e trilhar o sucesso como resultado de superação. Então apareceu, entre muitas baixezas tal qual se traduz a frase acima, mais um daqueles homens boçais estagnados no tempo (das cavernas), que ainda não descobriu que camisinha faz toda a diferença, contra as doenças e as ‘incomodações’ futuras.
Mais um animal que vivia enjaulado e mostrou as garras a La Wolverine.
Agora o mundo refestela-se com as mazelas da sua vida: família, abandono, vila, morro e o diabo a quatro. Mas a verdade é uma só: pessoa ruim se esconde, mas não por muito tempo, independente de qualquer fato da sua vida. A crueldade está ali, latente, gritando, suplicando pelo alimento que mantém viva a chama da fúria. Pronta para mostrar as garras, até que um dia solta-se o gatilho e o disparo acontece. Estrondo, adrenalina, pensamento zero. Foi, já era. O bicho solta as suas feras internas. Infeliz de quem cruzar o seu caminho. Será o alvo.Nada, após aquele milésimo de segundo entre o disparo e o objetivo, será igual. Tudo vai mudar. Incontestável.
Realmente os casais brigam , as pessoas discutem, o mundo tem seus momentos de raiva e fúria, mas daí para a violência existe uma imensa distância que jamais deve ser ultrapassada. Digamos melhor, existe um abismo. E existe mais ainda, algo mais concreto, um código de ética e moral.
Nada, e repito nada justifica qualquer ato de violência! Jamais.
Ponto final de vidas enterradas. Dele e dela.
sábado, 3 de julho de 2010
Não tô entendendo - parte II
Sabe o que mais me irrita em tempos de Copa?
Brasileiro dando pitaco, se achando o rei da cocada preta do futebol. Ok, você vai dizer que faz parte. Temos liberdade de expressão e blá blá blá... Se penso logo existo, se existo faço julgamentos, se faço julgamentos é porque penso e se penso é porque vivo. E a bola vai girando no gramado da vida.
Vai lá jogar no meio da pressão do título, corre atrás da bola 90 minutos e executa todos os passes de forma exemplar para que chegue no gol. Pra isso não pode existir adversários, ok? Conclusão: não é jogo, é a ilha da fantasia. E no meio tempo desta adrenalina fica quatro anos comandando uma equipe que faz sessenta jogos e perde somente seis, dá uma olhadinha pro time em jogo mata mata e sente o peso da responsabilidade a cada jogo. Gerir cabeças, seja em que tipo de equipe se tem na mão, exige autoridade e pulso firme. Mas respeito é importante em tudo na vida. Portanto respeito é bom e faz bem pros dentes da frente.Não é moleza! Moleza é sentar na frente da televisão, abrir uma cerveja e se achar o fodão (desculpa o palavrão, mas foi necessário aqui) do futebol, assistindo as idiotices de um monte de caras que só sabem passar informações, distorcidas e veladas, subestimando a inteligência dos outros. Porque quero saber se a maioria ali já foi jogar futebol, futebol mesmo ao invés de pelada com os amigos?
Como eu já disse, padre pra ser conselheiro matrimonial precisa primeiro casar.
Sabe o que nisto se traduz ? Na velha e já desbotada máxima: quem critica familiar, critica qualquer um. Esses somos nós, que nunca enaltecemos nada nosso. Sempre supervalorizando os nossos defeitos e aplaudindo a galinha do vizinho.
Quem mereceu voltar para casa não foi o Dunga e sua equipe. Foi o povo brasileiro e sua baixa auto-estima.
Não tô entendendo - parte I
Como vamos entender as pessoas que compõe a dita sociedade.
Estamos numa época onde o que conta é ter atitude. É importante ter personalidade, deixar a sua marca, imprimir seu DNA. E mais ainda, fazer diferença.
Aí quando chega alguém e diz o que pensa, ele é tosco, bronco e grosso. Já sei você vai dizer que uam coisa é ser sincero e outra é sincericídio. Ok, concordo, mas...
Ainda estamos patinando no que realmente queremos, basta alguém seguir na contramão do fluxo dos que vão atrás dos “uniformizados” para ser taxado de polêmico. Então se instala o caos, a crítica e o julgamento. E por consequência, o rótulo. Rótulo é aquele produto muito usado pelos preconceituosos que adoram bater no peito e se intitular de modernos (da casa pra fora).
Brasileiro se diz tão cabeça aberta, mas o que mais faz é definir tribo, conceituar o que é supérfluo e de quebra carimbar com título e rótulo o que for "estranho" aos olhos deles. E ainda ostentam por estas bandas que temos liberdade de expressão. Preciso rir, espera que eu já volto.
Em alguns momentos sinto que somos muito provincianos.
sábado, 26 de junho de 2010
O momento é tudo.
Três vezes genial!
O início deste livro se apresentou para mim com único propósito, de mostrar os dois lados de uma mesma moeda, a visão do traidor e do traído. Quem já participou de forma ativa dos dois lados sabe que não é fácil de forma alguma para nenhum dos protagonistas. Trair não é só prazer e glórias, assim como sabemos que ser enganado dói, esgota e fracassa, o traidor de algum modo também traz suas marcas e feridas. Eu falo aqui da traição quando inevitável, não como esporte, que é mais comum e só traz uma consequência, a banalização dos sentimentos. É fácil falar de traição e da dor de ser traído, é o que mais fazemos. É oassunto que persegue o nosso imaginário rodeado de temores. A dor do vitimizado. E a dor do que causou o sofrimento e não teve como fugir do papel de carrasco, seja lá qual foi o motivo?
Experimente provar do gosto amargo de trair e saberá que nada minimizará o peso da culpa, por mais feliz que sejamos com a escolha feita. Toda escolha tem seu quinhão de rupturas e dores.
Quanto mais eu lia e mais envolvida ficava na escrita bem construída, foi descortinando outro tema que não deixa de estar relacionado diretamente com o que pensei no começo da leitura. Muito mais que dor, que vem no pacote da traição, o livro mostra a outra face sobre as escolhas que precisamos fazer. Escolhas de olhos abertos.
Neste livro ela usa e abusa das analogias de forma original, criando espaço para a liberdade de pensamento e sustenta o livro todo com uma escrita envolvente. Cada frase é uma construção. Fui empática com a narrativa e faminta, o tempo todo, pelo próximo capítulo. E o que me cativa num bom livro é a fome que ele produz em mim.
Este livro fala dos duelos internos que se apresentam nas nossas vidas, mas ele não fica no “se isto ou aquilo tivesse acontecido...”
O momento é tudo - diz um dos personagens. O livro se desenvolve exatamente nesta virada de chave, neste clique que acontece nas nossas vidas. Momentos que estamos super conscientes de que não importa a escolha que faremos, ela alterará o curso da nossa história. Você, com certeza, já viveu isto. Eu também.
Irina é uma mulher casada e se depara com a possibilidade de beijar um amigo numa determinada situação e é neste instante que a história congela e se divide em dois mundos paralelos onde ela vai contando se tivesse beijado o cara e noutro em que ela não beija. As duas escolhas trará várias conseqüências, positivas e negativas. Ela extrapola todas as possibilidades desta vida em comum com os dois homens da sua vida.
Aqui não é o acaso operando na vida, é a escolha que pontua as opções.
Belíssima história. Ótimo desfecho. Vale a pena ler!
O início deste livro se apresentou para mim com único propósito, de mostrar os dois lados de uma mesma moeda, a visão do traidor e do traído. Quem já participou de forma ativa dos dois lados sabe que não é fácil de forma alguma para nenhum dos protagonistas. Trair não é só prazer e glórias, assim como sabemos que ser enganado dói, esgota e fracassa, o traidor de algum modo também traz suas marcas e feridas. Eu falo aqui da traição quando inevitável, não como esporte, que é mais comum e só traz uma consequência, a banalização dos sentimentos. É fácil falar de traição e da dor de ser traído, é o que mais fazemos. É oassunto que persegue o nosso imaginário rodeado de temores. A dor do vitimizado. E a dor do que causou o sofrimento e não teve como fugir do papel de carrasco, seja lá qual foi o motivo?
Experimente provar do gosto amargo de trair e saberá que nada minimizará o peso da culpa, por mais feliz que sejamos com a escolha feita. Toda escolha tem seu quinhão de rupturas e dores.
Quanto mais eu lia e mais envolvida ficava na escrita bem construída, foi descortinando outro tema que não deixa de estar relacionado diretamente com o que pensei no começo da leitura. Muito mais que dor, que vem no pacote da traição, o livro mostra a outra face sobre as escolhas que precisamos fazer. Escolhas de olhos abertos.
Neste livro ela usa e abusa das analogias de forma original, criando espaço para a liberdade de pensamento e sustenta o livro todo com uma escrita envolvente. Cada frase é uma construção. Fui empática com a narrativa e faminta, o tempo todo, pelo próximo capítulo. E o que me cativa num bom livro é a fome que ele produz em mim.
Este livro fala dos duelos internos que se apresentam nas nossas vidas, mas ele não fica no “se isto ou aquilo tivesse acontecido...”
O momento é tudo - diz um dos personagens. O livro se desenvolve exatamente nesta virada de chave, neste clique que acontece nas nossas vidas. Momentos que estamos super conscientes de que não importa a escolha que faremos, ela alterará o curso da nossa história. Você, com certeza, já viveu isto. Eu também.
Irina é uma mulher casada e se depara com a possibilidade de beijar um amigo numa determinada situação e é neste instante que a história congela e se divide em dois mundos paralelos onde ela vai contando se tivesse beijado o cara e noutro em que ela não beija. As duas escolhas trará várias conseqüências, positivas e negativas. Ela extrapola todas as possibilidades desta vida em comum com os dois homens da sua vida.
Aqui não é o acaso operando na vida, é a escolha que pontua as opções.
Belíssima história. Ótimo desfecho. Vale a pena ler!
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Nada explica tudo
Falácia. A sonoridade desta palavra é forte. Eu gosto.
“Nosso amor é uma constante, jamais mudará.”
Isto é uma falácia por si só e ponto! Mudamos sempre, só quem não muda é parede. Se o nosso olhar esteticamente falando “amadurece” porque o lado interno vai permanecer engessado. Sendo assim nada mais natural do que percepções serem transformadas, novos olhares, novos sentimentos surgem. Porque o desconhecido que surge com a sensação da mudança deve ser um sentimento claustrofóbico, desagradável e de mau cheiro?
Mudar não é pejorativo, não precisa ser sempre algo ruim, tomado de maus presságios. Nada nos impede de mudar para melhor, aceitar as mudanças implica em acreditar que mudar não necessariamente é diminuir o amor que temos pelo parceiro (a). Claro que assim como nós, o amor tem suas fases. Mudança não é ameaça, é oportunidade! Não seja refém de você mesmo. Quem se faz de vítima, vira vítima e leva os outros pro calabouço na armadilha do seqüestro nunca antes anunciado literalmente.
Paradoxo. Gosto da complexidade do que vem no pacote desta palavrinha danada.
“Não sei onde errei. Minhas horas eram dele. Eu fiz de tudo pra ele enxergar somente eu, inclusive estávamos sempre juntos, em todas as horas em todos os momentos.”
Faça um teste. Tente atravessar a praia até o calçadão com um punhado de areia nas mãos. Se você apertar a areia, provavelmente chegará ao objetivo sem um grão.
Agora se fizer uma concha com a sua mão e deixá-la aberta, com o olhar atento na rua e na sua preciosa areia, a probabilidade de chegar com um punhado de areia no destino traçado é grande.
O amor é mais ou menos assim, atenção, cuidado e carinho em doses certas mais a liberdade devida são bons ingredientes pra se ter alguém do lado. Isto tem nome: relação saudável. E nisto reside o paradoxo do amor, quanto mais preso, mais vontade de liberdade, quanto mais livre, mais vontade de ficar perto de você.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
E por falar nisto
Ah o amor ...
O tão sonhado e esperado amor.
Invenção, intenção ou pura fantasia?
Produto caro, artigo de luxo.
Suspiramos pelo incensado amor.
Temos de várias formas, mas o procuramos de forma carnal e passional.
Um amor para se viver pro resto dos dias, enquanto der pra gente viver. Pode durar um mês, um ano, uma década. Aqui e agora entre nós dois não rola tempo cronológico, só o tempo meu, o teu e da nossa velocidade e intensidade.
Ah o Santo Graal das nossas vidas ...
Estamos a procura de. Quando encontramos vivemos apaixonadamente até que tudo se torna rotina, costume, hábito e então como bola de sabão desidealizamos o amor e passamos a reparar nos mínimos detalhes do objeto amado. Então vem a intolerância, a impaciência e porque não dizer a decepção. E há àqueles que vivem história dignas de romance, tão invejados estes apaixonados.
A- eme - o – erre, palavrinha tão falada por todos os cantos do mundo...
Por vezes sussurrada ao pé do ouvido, em alguns momentos em alto e bom som e por instantes entre gemidos e sensações. E porque não dizer, entre soluços e dores?
Quem inventou a tão aclamada definição com certeza nunca imaginou quanta responsabilidade tinha naquele momento explosivo de inspiração.
Foi Deus quem criou ou os homens?
Quem consegue definir com exatidão este sonho tão buscado por nós, reles mortais?
A única verdade que sabemos é que somos bichos casadoiros e como tal viemos para viver histórias de amor.
Um deserto é impossível de atravessar sem um camelo.
E a vida é humanamente impossível de viver sem outro alguém pelo tempo necessário que for da nossa história, mas com a intensidade do agora, do presente.
sábado, 5 de junho de 2010
Muito prazer, Sr tempo
Com vocês o ilustre senhor. A sua Excelência. O grande piadista, o grande ilusionista.
Parceiro inseparável da Sra Vida. Aquele que realmente é o nosso orientador.
O senhor feudal das nossas cotidianas vidas.
Existe uma época onde o tempo está a nossa disposição e o luxo de consumo é imaginar que a maturidade vai demorar muito a mostrar a sua face. Avançar pode ser um processo lento porque a vida ainda é uma misteriosa cartomante que por ora acerta e por vezes erra as suas previsões nem tão previsíveis. Um mundo de incógnitas temos a nossa frente e crescer está muito longe de nós.
A vida nos espera. Estamos ganhando a corrida. Temos preguiça de crescer, o corpo é vagaroso e o mundo está aos nossos pés. Esse viço, este brilho da juventude é o clímax do viver.
E há um tempo onde já não temos tanto tempo. Uma época que o tempo já não é nosso aliado embora não seja ainda nosso inimigo. Apesar da certeza de que o tal tempo urge.
Temos pressa de viver. Temos pressa de sentir, porque o amanhã está bem ali, na quebrada da esquina.
Fecho hoje já comemorando o meu aniversário amanhã.
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